“O que temos no terreno não é suficiente”, diz Paulo Fernandes
Seis meses depois da passagem da tempestade Kristin, que provocou danos avultados em dezenas de concelhos da região centro do país, a Estrutura de Missão, criada pelo Governo para coordenador a reconstrução, admite que está preocupada com a falta de mão-de-obra, mas também com os défices de qualificação dos trabalhadores.
Em entrevista à RTP Antena 1, o coordenador da Estrutura de Missão, Paulo Fernandes, reconhece que os recursos existentes “não são suficientes” para responder à dimensão dos trabalhos e aponta a um novo pacote de medidas para acelerar o processo de reconstrução.
“O que temos no terreno de mobilização não é suficiente. Os programas desta dimensão demoram muitas vezes quase uma década a executar. Nós queremos tentar compactar ao máximo e conseguir resolver grande parte desta questão em dois anos”, diz o coordenador, que acrescenta: “Estamos a finalizar um levantamento muito exaustivo para percebermos todas as necessidades perante aquilo que é, neste momento, uma falha de mercado ou um desequilíbrio entre oferta e a procura”.
Segundo o coordenador, além do atual mecanismo de articulação entre o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), a AIMA e o tecido empresarial, a Estrutura de Missão está, neste momento, a desenhar novas medidas que devem ser apresentadas no prazo máximo de um a dois meses. Entre as iniciativas estará um sistema de monitorização das obras para identificar atrasos e o aproveitamento das bolsas de engenheiros, arquitetos e engenheiros técnicos que já participaram na avaliação dos danos nas habitações.
“Um [novo] pacote de medidas para podermos concentrar mais recursos, aproveitar mais energias, fomentar mais cooperação. Há dimensões que têm que ver com a monitorização e a forma como vamos monitorizar a inscrição física para percebermos onde há atrasos ou dificuldades estruturais”, explica Paulo Fernandes, que identifica a construção civil e florestas como áreas prioritárias.
“Era impossível executar três mil milhões de euros em meia dúzia de semanas”, diz coordenador. Apesar das dificuldades na execução, Paulo Fernandes rejeita a ideia de que o Estado tenha falhado na resposta às populações e lembra que o primeiro mês após a tempestade foi essencialmente dedicado à emergência, numa altura em que era necessário restabelecer serviços públicos, comunicações, acessibilidades e infraestruturas básicas.
“A capacidade entre freguesias, municípios, cidadãos, empresas, administração do Estado e proteção civil permitiu que alguma normalidade fosse restabelecida. Foi conseguido com muita dificuldade, mas foi conseguido”, assinala.
Segundo os dados apresentados pelo responsável, já foram colocados no terreno cerca de 3,5 mil milhões de euros, entre verbas pagas e montantes já autorizados.
“Se me perguntassem há seis meses se era possível colocar mais de três mil milhões de euros no terreno, junto de mais de 160 mil beneficiários e de cerca de 15 mil empresas, eu diria que era muito difícil imaginar uma resposta desta dimensão. Estamos a falar de recursos equivalentes aos maiores programas comunitários do país”, sublinha Paulo Fernandes, que reitera: “Era impossível executar três mil milhões de euros em meia dúzia de semanas”.
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