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Private equity mantém ritmo na Europa, mas compradores ganham poder negocial, conclui estudo da CMS

Private equity mantém ritmo na Europa, mas compradores ganham poder negocial, conclui estudo da CMS

A atividade de capital de risco (private equity) na Europa manteve-se estável em 2025, apesar da incerteza económica e geopolítica, mas os investidores passaram a impor condições mais favoráveis nas operações, refletindo um mercado em que os compradores ganharam maior poder de negociação, segundo o CMS European Private Equity Study 2026. O estudo analisa mais de 170 operações de private equity assessoradas pela CMS em vários mercados europeus durante o ano passado.
De acordo com a análise, os novos investimentos representaram 72% das transações concluídas em 2025, acima dos 68% registados no ano anterior, enquanto a atividade de desinvestimento continuou a abrandar, refletindo as dificuldades dos fundos em encontrar oportunidades para alienar participações. O peso dos chamados secondary buy-outs também diminuiu, numa altura em que os investidores continuam pressionados a aplicar o capital disponível.
O estudo conclui ainda que as condições negociais evoluíram a favor dos compradores. Os mecanismos de ajustamento do preço de compra estiveram presentes em 45% das operações, acima dos 42% de 2024 e dos 35% de 2023, enquanto as cláusulas de alteração material adversa (Material Adverse Change ou MAC), que reforçam a proteção do comprador entre a assinatura e a conclusão da transação, aumentaram para 13% das operações, quase duplicando face aos 7% do ano anterior. Paralelamente, os processos competitivos e leilões perderam peso, dando lugar a negociações bilaterais.
Ao nível setorial, Tecnologia, Media e Telecomunicações voltou a liderar a atividade, concentrando 22% das operações analisadas, embora ligeiramente abaixo dos 24% registados em 2024. Em sentido contrário, o imobiliário registou um crescimento expressivo, praticamente triplicando a sua atividade, enquanto o setor industrial duplicou o número de transações. Já Energia e Alterações Climáticas perdeu dinamismo, com uma redução de 12 pontos percentuais na atividade, penalizado pelo contexto geopolítico.
A utilização de mecanismos de remuneração variável, como os earn-outs, continuou igualmente elevada, sobretudo em operações de menor dimensão e aquisições complementares (bolt-on), refletindo as diferenças de avaliação entre compradores e vendedores num contexto ainda marcado pela prudência. Também se verificou um aumento da utilização de critérios assentes em EBIT e EBITDA para determinar esses pagamentos futuros.
O relatório antecipa uma recuperação gradual da atividade em 2026, suportada pela estabilização das taxas de juro, pela melhoria das condições de financiamento e pelos níveis historicamente elevados de capital disponível (dry powder). Ainda assim, a CMS alerta que a evolução do mercado continuará dependente das tensões geopolíticas, da inflação e da persistência das diferenças de avaliação entre compradores e vendedores, fatores que deverão manter a preferência por operações de média dimensão e por estruturas de preço mais flexíveis

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