Renault passa de prejuízos a lucros apesar do crescimento dos carros eléctricos chineses
A empresa francesa registou um lucro líquido de 705 milhões de euros em comparação com um prejuízo de 11,18 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2025, devido a um prejuízo extraordinário de 9,3 mil milhões de euros relacionado com a sua participação na Nissan.
O Renault Group reportou esta quarta-feira um crescimento robusto no primeiro semestre de 2026 e confirmou as suas perspetivas financeiras para o ano, apoiado no desempenho das marcas automóveis e da financeira Mobilize Financial Services (MFS), segundo o comunicado da empresa.
A Renault anunciou um aumento de 9,5% nas receitas do primeiro semestre para 30,3 mil milhões de euros ou 10,3% a taxas de câmbio constantes, informou a construtora automóvel em comunicado.
A empresa diz que voltou aos lucros graças às fortes vendas de veículos elétricos, resistindo à crescente pressão dos rivais tradicionais e dos novos fabricantes de automóveis chineses sobre os preços dos automóveis em toda a Europa.
A divisão automóvel, principal motor do grupo, gerou 26,8 mil milhões de euros em receitas, mais 9,3% que no mesmo período de 2025, enquanto a MFS registou 3,4 mil milhões de euros, um crescimento de 11%.
O free cash flow automóvel atingiu 653 milhões de euros, incluindo 250 milhões de euros de dividendo da MFS, contra 150 milhões um ano antes. A posição líquida de tesouraria automóvel era de 6,6 mil milhões de euros a 30 de junho.
O resultado operacional do grupo fixou-se em 1,6 mil milhões de euros, correspondente a uma margem de 5,2% sobre as receitas. O segmento automóvel contribuiu com 0,8 mil milhões de euros, margem de 3,0%, o mesmo valor que a MFS (Mobilize Financial Services), o banco do Renault Group que até 2022 chamava-se RCI Banque.
A Renault afirmou que as suas vendas de automóveis totalmente elétricos saltaram 47,6% em comparação com o mesmo período de 2025, impulsionadas pelo sucesso do novo Renault 5. Os veículos elétricos representaram um em cada cinco veículos novos vendidos pela empresa.
“Os nossos resultados do primeiro semestre confirmam que o nosso modelo estratégico funciona, mesmo num ambiente complexo”, disse o CEO da Renault, François Provost, aos jornalistas.
O construtor automóvel francês, que espera que a pressão sobre os preços na Europa se mantenha ao longo do ano, reportou uma margem operacional de 5,2% para o período de seis meses, abaixo dos 6% do primeiro semestre de 2025, mas acima das expectativas dos analistas de 5%.
O grupo disse que a redução de custos continua a ser prioridade para mitigar o impacto da crise no Médio Oriente sobre matérias-primas, energia e logística. A redução dos custos variáveis por veículo está em linha com a ambição do plano futuREady de cortar cerca de 400 euros por ano em média a médio prazo, enquanto os custos fixos cash se mantiveram estáveis face ao primeiro semestre de 2025.
Apesar da crescente concorrência na Europa de fabricantes automóveis chineses, incluindo a BYD e a Chery a Renault confirmou a sua meta de margem operacional para 2026 de 5,5%, contra 6,3% em 2025.
A empresa espera diferenciar-se com novos modelos, como o regresso do icónico citadino Twingo, desta vez elétrico, ou com novos conjuntos motopropulsores, como a primeira versão híbrida do Sandero, o automóvel mais vendido na Europa na primeira metade do ano.
Na Europa, a Renault manteve-se como a segunda marca em vendas de ligeiros de passageiros e comerciais (PC+LCV), segunda em elétricos no retalho e segunda em híbridos. A Dacia manteve-se no top 10 de vendas de ligeiros, terceira no retalho, com o Sandero como o automóvel de passageiros mais vendido em todos os canais. A Alpine viu as vendas dispararem 69,1% face ao primeiro semestre de 2025.
O grupo acelerou a eletrificação, com as vendas eletrificadas a representarem 52% das vendas na Europa no semestre, mais 8,2 pontos percentuais que há um ano. As vendas 100% elétricas cresceram 47,6% e já representam 18,8% das vendas do grupo, enquanto os híbridos representam um terço.
Fora da Europa, o grupo reforçou posições nos mercados estratégicos, com crescimento das vendas da marca Renault pelo segundo ano consecutivo (+2,8%). Destaque para Índia (+61,2%), Turquia (+15,4%), Marrocos (+13,7%) e Brasil (+5,3%).
A carteira de encomendas na Europa situa-se em 2,1 meses de vendas futuras. Os inventários totais eram de 546.000 veículos no final de junho, nível que o grupo considera adequado para operar no segundo semestre.
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