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BPI muda classificação da participação do banco em Moçambique e admite vender os 35% do BCI

BPI muda classificação da participação do banco em Moçambique e admite vender os 35% do BCI

O BPI anunciou na apresentação de resultados que decorreu hoje que no primeiro semestre de 2026, foi feita uma reclassificação contabilística da participação no BCI (de 35%) que teve um impacto negativo de 35 milhões de euros nas contas do semestre, e que serviu “para tornar menos volátil a participação”, disse o CEO.
Na prática  no fim de junho a participação do BCI foi reclassificada de “empresa associada” (reconhecida por equivalência patrimonial) para “ações ao justo valor através de outro rendimento integral”. Isto significa que qualquer desvalorização da participação deixa de impactar a conta de resultados e passa a ser contabilizada em reservas, abatendo ao capital próprio.
“As operações em África não são estratégicas”, disse João Pedro Oliveira e Costa, CEO do BPI.
O banqueiro disse no entanto que “não há conversações em curso com a CGD (que é o maior acionista do BCI) nem com terceiros, mas mantemos total disponibilidade, já manifestada publicamente, dado tratar-se de uma participação não estratégica”.
O BPI passa a apropriar-se apenas dos dividendos, na proporção da sua participação, o que aliás já tinha feito com a participação no BFA em Angola.
“No caso do BFA, fizemos o mesmo movimento em 2016/2017: retirámos todos os administradores, deixámos de ter influência significativa na gestão e reclassificámos a participação como ativo financeiro, fora da consolidação integral — o que significa que só registamos impacto nas contas quando a instituição paga dividendos. Esse distanciamento sinalizou também a nossa disponibilidade para vender, o que se concretizou com o IPO em que alienámos 15%”, sublinhou o presidente do BPI.
“Aplicámos agora a mesma lógica ao BCI,  deixámos de ter influência na gestão, que hoje é assegurada pela Caixa Geral de Depósitos (acionista maioritário do BCI), com a nossa total confiança. Não estamos a negociar a venda dos nossos 35% com a CGD nem com mais ninguém, mas mantemos total disponibilidade para o fazer, dado que a participação não é estratégica para o BPI. Tenho uma excelente relação com Paulo Macedo e estamos alinhados quanto à gestão do BCI”, reforçou o banqueiro.
Sobre os valores ainda a receber do BFA disse que “continuamos a receber entre 5 e 10 milhões de euros por mês, já ultrapassámos 60% do valor total esperado e estou confiante de que, até ao final do ano, teremos recebido a totalidade — sempre em dólares transferidos para Portugal (os montantes em kwanzas já foram recebidos localmente)”, acrescentou.

“Esta alteração não muda o valor da participação no BCI nem o valor dos capitais próprios do banco. O que acontece é uma transferência técnica: uma parte das reservas de desvalorização cambial e de mais-valias em títulos, que estava registada em “outro rendimento integral”, teve de transitar para resultados — é, sobretudo, um efeito contabilístico”

Susana Trigo Cabral (CFO) do BPI explicou que “em relação a participações financeiras sem controlo, existem duas formas de registo contabilístico: o equity method, que era o que usávamos para o BCI, e o justo valor através de “outro rendimento integral”, para o qual passámos agora.
“Esta alteração não muda o valor da participação no BCI nem o valor dos capitais próprios do banco. O que acontece é uma transferência técnica: uma parte das reservas de desvalorização cambial e de mais-valias em títulos, que estava registada em “outro rendimento integral”, teve de transitar para resultados — é, sobretudo, um efeito contabilístico”, acrescentou a CFO.
“A partir de agora, tal como já sucede com o BFA, deixamos de reconhecer nos resultados a quota-parte dos lucros do BCI segundo o equity method e passamos a registar apenas os dividendos recebidos; eventuais variações de justo valor da participação passam a ser reconhecidas em “outro rendimento integral”, concluiu a administradora do BPI.

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