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CMVM: Quase 60% dos universitários inquiridos revelam aversão à perda financeira

CMVM: Quase 60% dos universitários inquiridos revelam aversão à perda financeira

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) divulgou hoje os resultados do VI inquérito à população universitária sobre literacia financeira, que revela que 58,9% dos respondentes evidenciam alguma aversão à perda, uma proporção superior à registada quanto à aversão ao risco financeiro em geral.
O inquérito, realizado ‘online’ entre 2 de outubro e 20 de novembro de 2025, obteve 2.319 respostas válidas e avaliou, pela primeira vez, as atitudes dos inquiridos face ao risco em geral, ao risco financeiro e às perdas.
Segundo o regulador, cerca de 42,3% dos respondentes manifestam alguma aversão ao risco financeiro e 19,2% revelam alguma tolerância a este tipo de risco. Já quanto ao risco em geral, dois em cada cinco inquiridos apresentam alguma aversão, 18,2% têm alguma apetência pelo risco e 43,0% mostram-se relativamente neutros.
A CMVM refere que 5,5% dos inquiridos se dizem nada dispostos a correr riscos e apenas 3,2% se declaram muito dispostos a fazê-lo.
De acordo com o estudo, os homens, os respondentes entre os 26 e os 40 anos e os que têm melhores conhecimentos financeiros apresentam maior tolerância ao risco, tanto em geral como no plano financeiro. Em sentido inverso, as mulheres, os inquiridos com mais de 40 anos e os que revelam menor literacia financeira mostram-se mais avessos ao risco e à perda.
Ainda segundo o inquérito, a aversão à perda – definida pela CMVM como a tendência para sentir o impacto das perdas de forma mais intensa do que o de ganhos equivalentes – é mais acentuada entre as mulheres, os respondentes com mais de 40 anos e os que têm menor literacia financeira objetiva e percecionada, enquanto a maior tolerância à perda se verifica entre quem tem melhores conhecimentos financeiros.
O documento da CMVM aponta ainda fragilidades ao nível da literacia financeira na amostra, apesar de esta ter escolaridade superior à da generalidade da população portuguesa: 36,7% dos respondentes dizem-se pouco ou nada conhecedores de matérias relacionadas com mercados e produtos financeiros e 33,1% responderam corretamente a menos de metade das questões de literacia financeira colocadas.
Quanto à autoavaliação de conhecimentos, 64,4% dos inquiridos avaliam corretamente os seus conhecimentos financeiros, mas um em cada cinco subestima-os e 15,3% sobrestimam-nos.
No capítulo da poupança, o inquérito indica que 49,4% dos respondentes poupam mais de 10% do rendimento mensal, 11,6% não poupam com regularidade e 5,7% não pouparam nos últimos 12 meses. As principais motivações para poupar são a constituição de uma reserva para despesas imprevistas (64,4%) e para despesas não regulares, como férias e viagens (54,4%), sendo a poupança para a reforma referida por 32,0% dos inquiridos.
Sobre os riscos associados a produtos de investimento, os mais valorizados pelos respondentes são a perda total ou parcial do capital investido e a falência ou insolvência do emitente.
A CMVM sublinha que os inquéritos à população universitária têm por objetivo avaliar os conhecimentos financeiros, os hábitos de poupança, as atitudes perante o risco e as tendências de investimento da amostra, constituindo uma ferramenta de apoio à definição de prioridades do regulador em matéria de literacia financeira e proteção dos investidores.

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