Ligeira recuperação na zona euro reforça probabilidade de subida de juros em setembro
A atividade na zona euro melhorou em julho e dá força à ideia de que o Banco Central Europeu (BCE) optará por voltar a subir taxas na próxima reunião, em setembro, sobretudo se a situação no Médio Oriente não estabilizar.
Os índices de gestores de compras (PMI) preliminares de julho mostram uma subida do indicador composto de 50 pontos para 51,9, isto quando o mercado antecipava uma leitura de apenas 50,3. A subida foi registada igualmente na indústria, cujo subíndice acelerou de 51,4 para 52 pontos, e nos serviços, que saltou de 49,4, uma leitura em terreno de contração, para 51,6.
O subindicador referente à produção industrial também acelerou e ao ritmo mais elevado desde março de 2022, passando de 51,7 em junho para 53 pontos em julho.
Outro ponto positivo foi a melhoria do índice Ifo, o principal indicador de atividade na Alemanha, que subiu de 85,6 pontos em junho para 86,6 em julho. Apesar de se manter em terreno negativo, foi a terceira subida do índice, o que confere algum otimismo, sobretudo dadas as dificuldades em que tem estado mergulhada a maior economia europeia nos últimos anos, com os analistas do banco ING a falarem numa “certa resistência” do país, mas lembrando que “o caminho para sair da estagnação é ainda lento e moroso”.
Ao mesmo tempo, as expectativas de inflação dos consumidores europeus recuaram, mas mantêm-se bastante acima do objetivo de médio prazo do BCE, reforçando a probabilidade de uma subida de juros em breve.
A 12 meses, as expectativas de inflação das famílias caíram de 3,5% em maio para 3%, um recuo assinalável e consistente com a normalização da cotação internacional do petróleo após o memorando de entendimento entre norte-americanos e iranianos. A três anos, os consumidores europeus antecipam agora 2,8%, 0,1 pontos percentuais (pp) abaixo dos 2,9% estimados em maio.
Para os analistas da Pantheon Macro, estes dados reforçam a probabilidade de uma subida de juros em setembro, cenário que mantêm como base.
Estes “são dados globalmente animadores” que “suportam a ideia consensual de que o BCE irá voltar a apertar a política monetária”, dada a aparente força da atividade económica, lê-se numa nota do think-tank. O cenário base é mais uma subida de 25 pontos base (pb) até final do ano, mas, “se os PMI continuarem a melhorar e acompanhados de um barril de petróleo acima de 90 dólares, o risco inclina-se para duas subidas de juros do BCE”.
Por outro lado, as expectativas da inflação mantêm-se “relativamente hawkish em relação a outros indicadores prospetivos baseados em inquéritos e sinalizam riscos claros que as expectativas de inflação possam estar a ficar desancoradas do objetivo de 2%”, podendo contribuir para inclinar o BCE a agir de forma mais decisiva para evitar efeitos de segunda ordem.
De acordo com a ECB Watch Tool, os mercados antecipam agora uma probabilidade de 89% de uma subida de 25 pontos base (pb) na próxima reunião, a 10 de setembro, mas as mexidas podem mesmo não ficar por aqui. Os investidores e analistas inclinam-se cada vez mais para nova subida ainda este ano, atribuindo à reunião de dezembro 48,6% de probabilidades de terminar com um nível dos juros 50 pb acima do atual, pelo que esta se vai tornando na visão dominante.
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