Jefferies reitera recomendação de ‘comprar’ BCP e vê potencial de 15% após resultados do 2º trimestre
A Jefferies reiterou a recomendação de compra para o Banco Comercial Português e um preço-alvo de 1,24 euros, o que implica um potencial de valorização de 15% face ao fecho de 1,08 euros, citando revisões em alta da margem financeira em Portugal e na Polónia.
Numa nota intitulada “Growth and NII Engines on Fire”, publicada após os resultados do segundo trimestre, o banco de investimento norte-americano afirma que o BCP é uma aposta única na Península Ibérica, com exposição a dois dos mercados que mais crescem na UE.
“A forte dinâmica em Portugal e a melhoria das perspetivas para a margem financeira polaca posicionam o banco de forma única para superar em crescimento rentável”, escrevem os analistas.
“Acreditamos que a avaliação continua a ser atrativa, com o BCP a negociar com um prémio de 5% no rácio preço/lucro face aos bancos da UE, apesar do crescimento mais forte (CAGR de 19% no lucro por ação) e da perspetiva de retorno sobre o capital próprio (RoTE normalizado de 21% para 2028). Uma possível saída da Fosun seria positiva a médio prazo”, referem os analistas do banco Jefferies.
“O BCP é uma opção única na Península Ibérica, que oferece tanto um crescimento superior como retornos de capital atrativo”, refere a casa de investimento.
A casa de investimento sublinha o crescimento do crédito de 8% com Portugal a destacar-se com +9% em termos homólogos, sustentado pela componente de crédito a empresas, que subiu 6% em Portugal e 27% na Polónia.
“Um cenário macroeconómico favorável e um foco estratégico nos empréstimos empresariais (+6% anualmente em Portugal e +27% anualmente na Polónia) continuam a sustentar a expansão rentável do balanço, onde observamos uma melhoria gradual do retorno do capital próprio (RoTE, numa base de capital normalizado), passando de pouco mais de 15% atualmente para 21% em 2028. É importante realçar que o BCP consegue alocar capital em crescimento rentável, mantendo a distribuição de capital em linha com os seus pares europeus”, refere a casa de investimento.
O Jefferies refere que o segundo trimestre confirmou uma melhor perspetiva para a margem financeira (NII) em 2026 e 2027.
Em Portugal, o crescimento de volumes do crédito e uma curva de taxas favorável levou a gestão a elevar a orientação para um crescimento da margem na casa dos dois dígitos baixos (low teens) nos dois anos, acima do consenso de 12% e 9%, respetivamente, segundo a nota.
Na Polónia, a casa espera que as taxas diretoras se mantenham mais altas por mais tempo, com o banco central a manter a taxa em 3,75% até 2028, o que é positivo para margens. O Jefferies diz estar acima do consenso em “mid-single digit” para a margem polaca em 2027 e 2028.
Na sequência, o banco de investimento aumentou as estimativas de lucro para 2027/2028 em 3% e 1%, respetivamente, ficando 3% e 6% acima do consenso. Para 2026, o Jefferies revê receitas em alta inferior a 1% e mantém EPS estimado de 0,08 euros.
De acordo com o exercício de capital apresentado pela Jefferies, o rácio CET1 do BCP deverá evoluir de 15,1% no final do primeiro semestre de 2026, já após distribuição de 90% dos lucros semestrais, para 15,3% no final de 2026 e 14,9% no final de 2027, assumindo um payout de 90%.
O banco manteria assim distribuições em linha com os pares europeus ao mesmo tempo que financia crescimento. A Jefferies prevê um RWA (ativos ponderados pelo risco) a subir 1,5 mil milhões de euros no segundo semestre de 2026 e 3,0 mil milhões por ano em 2027 e 2028.
A longo prazo, o Jefferies vê o BCP a superar largamente as metas estratégicas 2025-28, com um RoE de 18% em 2028, 450 pontos base acima do guidance, e lucros acumulados superiores a 5 mil milhões de euros, contra uma meta de 4-4,5 mil milhões.
O Jefferies estima ainda que a rendibilidade dos capitais tangíveis (RoTE) normalizada melhore de pouco acima de 15% atualmente para 21% em 2028, face a 17,6% para a média do setor.
Apesar de negociar com um prémio de cerca de 5% face aos bancos europeus em termos de múltiplo de lucros – 11x e 10x lucros estimados para 2027/2028 – o Jefferies considera a avaliação atrativa dado o crescimento esperado do EPS (resultado por ação) de 19% ao ano entre 2025-28, mais do dobro da média europeia, e uma remuneração de capital de high-single-digit ao ano.
Sobre a participação da Fosun, que poderá pesar sobre a ação no curto prazo, o banco considera que uma eventual saída seria estruturalmente positiva a médio prazo, caso resulte num acionista mais estratégico e remova o fardo persistente sobre o título.
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