Onde estão 13 mil milhões de receitas do petróleo da Venezuela?
O Governo norte-americano arrecadou mais de 13 mil milhões de dólares em receitas com a venda de petróleo venezuelano este ano, mas o “Financial Times” revelou em julho que não era claro onde estava o dinheiro.
Agora, os democratas no Congresso vêm exigir que a Casa Branca revele o destino destas receitas.
“É chocante (…) que ainda não se saiba onde o dinheiro foi parar e porque é que o Congresso continua sem saber. Se o Governo não tem nada a esconder deve providenciar imediatamente transparência e as respostas que o povo americano merece”, disse o congressista Robert Garcia.
Depois da captura do presidente Nicolas Maduro em janeiro, os EUA passaram a controlar as exportações de petróleo, tendo suspendido algumas sanções. A vice-presidente Delcy Rodriguez passou então a liderar o país.
As exportações de petróleo da Venezuela subiram 46% desde janeiro, com a produção a aumentar 27%.
Pesando um quarto no PIB do país, o dinheiro deveria ter aliviado a economia venezuela, que sofreu com um sismo recentemente.
Mas está por esclarecer o destino real dado às receitas do petróleo do país, segundo o “FT”, que coloca a hipótese de o dinheiro não estar a ser todo enviado para Caracas.
“Estamos a fazer muito dinheiro” com o petróleo da Venezuela, disse Donald Trump em junho quando questionado sobre a finalidade das receitas. Também afirmou que os que os EUA já tinham recuperado o custo da operação militar “28 vezes” através do petróleo.
O Governo da Venezuela criou um site para monitorizar o destino das receitas, mas só tem uma entrada: 300 milhões de dólares registados em março.
Uma republicana do sul da Florida defende que o destino do dinheiro deve ser tornado público colocando ênfase “na importância da transparência”, segundo Maria Elvira Salazar.
Os sismos de 24 de junho provocaram danos na ordem dos 37 mil milhões de dólares.
Os democratas podem vir a investigar o dinheiro do petróleo, se conseguirem o controlo de uma das câmaras do Congresso em novembro, avisou um ex-conselheiro de Obama Benjamin Gedan.
“É um alvo apetecível. Podemos imaginar muitas intimações e pedidos para testemunhos sobre a distribuição do dinheiro do petróleo venezuelano”, disse ao “FT”.
Um congressista democrata disse que a invasão da Venezuela foi sobre “petróleo, poder e corrupção desde o início, com milhões de dólares de receita a serem controlados pelo Governo Trump sem transparência”, com o Congresso a ficar no “escuro” sobre este tema, segundo Joaquin Castro.
Em janeiro, Donald Trump anunciou que as receitas passariam a ser controladas por si. Desde então, a Casa Branca deu diferentes argumentos sobre a finalidade das receitas.
A ordem executiva de janeiro disse que os fundos serão propriedade do Governo da Venezuela, mas que ficarão detidos em contas do Governo dos EUA.
O ministério da Energia dos EA prometeu que os fundos seriam desembolsados para o “benefício do povo americano e venezuelano”.
Um responsável do ministério dos Negócios Estrangeiros dos EUA, Michael Kozak, disse em abril que 3 mil milhões de receitas tinham sido enviadas para a Venezuela e que a KPMG estava a auditar as contas bancárias, prometendo relatórios trimestrais sobre o dinheiro; congressistas democratas garantem que não receberam mais informação desde então.
Os fundos estarão a ser libertados gradualmente para pagar salários do setor público e comprar equipamento para a indústria do petróleo.
O objetivo desta custódia seria exercer pressão sobre Delcy Rodriguez, que fazia parte do regime chavista, mas que se tornou agora uma amiga de Washington.
O ministério dos Negócios Estrangeiros avançou que “milhões de dólares foram desembolsados para a economia venezuelana. A monitorização financeira está a ter lugar para assegurar que os fundos beneficiam o povo venezuelano”.
Já o ministério das Finanças disse que o Governo dos EUA tem estado a trabalhar com o Governo de Delcy Rodriguez.
Por sua vez, o economista Francisco Rodriguez do Center for Economic and Policy Research em Washington disse que, apesar do aumento das exportações, a taxa de crescimento da economia no primeiro trimestre foi a mais baixa em quase cinco anos.
“Onde está o dinheiro? Não existe transparência e o Governo dos EUA não nos informa”, disse o ex-líder da oposição José Guerra.
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