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Governo anuncia unidade de valorização energética de resíduos no Algarve

Governo anuncia unidade de valorização energética de resíduos no Algarve

A Agência Portuguesa do Ambiente vai avançar com um projeto para uma unidade de valorização energética de resíduos no Algarve, que tem os seus dois aterros próximos do limite de capacidade, anunciou este sábado a ministra do Ambiente.
Maria da Graça Carvalho, que além da pasta do Ambiente tem a seu cargo também a da Energia, fez o anúncio em Faro, onde participou nas cerimónias do 50.º aniversário da Associação da Ilha do Farol de Santa Maria, e adiantou que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) vai avançar com um concurso para estudar a solução técnica e a localização da futura unidade em 15 de outubro.
A governante disse aos jornalistas que os aterros em funcionamento no Algarve, um no sotavento (leste) e outro no barlavento (oeste), só têm capacidade para receber resíduos até um período máximo de dois anos e, além de trabalhos para aumentar essa capacidade até sete anos, é preciso avançar com uma nova unidade que permita abordar a questão dos resíduos a partir de 2035.
O Algarve é a região do país que mais resíduos produz ‘per capita’, devido ao turismo e ao facto de os turistas não serem contabilizados para as médias.
Produz anualmente 400 mil toneladas de resíduos e destina 85% para aterro, valor que supera a média nacional, que é 56%, e as da União Europeia, que são de 10% para 2035 e 14% para 2030, argumentou.
Maria da Graça Carvalho adiantou que a solução em estudo vai ser implementada “em concordância” com os 16 municípios do Algarve, representados pela Comunidade Intermunicipal regional (AMAL), e permitirá à região abordar “o problema dos resíduos”, beneficiando de financiamentos europeus disponíveis.
“O Algarve está a mandar 85% [dos resíduos para aterro] e está a subir, há pouco tempo era 80%, neste momento é 85%” e nos últimos quatro anos os resíduos aumentaram 13% no Algarve.
Reconhecendo que há um aumento da população e do turismo, o que explica o aumento dos resíduos, a ministra disse ser preciso uma solução: “Não é uma política certa construir mais aterros, quando nós precisamos diminuir para 10% e estamos a 85%”.
A ministra explicou que os aterros do Algarve, um em Loulé e outro em Portimão, têm “um ano e meio de espaço para encher, o outro dois anos”, e adiantou que vai ser construída “uma expansão de cada um deles, uma célula, que vai dar cerca de sete anos e meio” de capacidade para receber resíduos.
“Mas isto dá-nos até 2034-2035 para ter uma solução definitiva para os resíduos no Algarve, não há região com turismo de qualidade ou com qualidade de vida para os seus residentes que não resolva o problema dos resíduos, é essencial nós resolvermos o problema dos resíduos”, justificou.
Maria da Graça Carvalho anunciou que a APA está “a preparar um concurso que vai lançar a 15 de outubro, com localização e soluções tecnológicas para resolver este problema” dos resíduos.
“É muito natural que se vá para a valorização energética dos resíduos, isto em concordância com os senhores presidentes de câmara, a localização será um estudo semelhante ao que se fez para a dessalinizadora, portanto tudo feito em coordenação com os presidentes, que representam a população”, acrescentou, referindo-se a uma solução que permite produzir energia a partir da queima de resíduos.
Maria da Graça Carvalho considerou ser “importantíssimo” aproveitar os financiamentos disponíveis e encontrar uma solução que possa “ser aceite pela população, para não criar problemas depois à obra”.

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