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BCG: Riqueza financeira global cresce 10,7% para 333 biliões de dólares em 2025

BCG: Riqueza financeira global cresce 10,7% para 333 biliões de dólares em 2025

A riqueza financeira global cresceu 10,7% em 2025, para 333 biliões de dólares (cerca de 285 biliões de euros), registando o ritmo de crescimento anual mais rápido desde 2021, segundo o Global Wealth Report 2026 da Boston Consulting Group (BCG).
O relatório, divulgado em conjunto com o Global Principal Investors Report 2026, identifica uma transformação na geografia da riqueza e dos fluxos de capital, marcada por uma maior concentração do investimento, pelo crescente peso dos investidores institucionais e pela utilização da inteligência artificial (IA) na gestão de património e nos modelos operacionais.
“A riqueza global continua a crescer, mas a verdadeira mudança está na forma como esse capital é hoje gerado, alocado e mobilizado”, refere a BCG no documento.
Incluindo ativos reais, a riqueza líquida mundial ascendeu a quase 550 biliões de dólares em 2025, enquanto a riqueza transfronteiriça aumentou 8,4%, para 15,7 biliões de dólares.
Os dez principais centros internacionais de registo e gestão de património captaram quase 90% dos novos fluxos de capital ‘offshore’, com Hong Kong a ultrapassar, pela primeira vez, a Suíça como principal centro mundial de riqueza transfronteiriça.
A evolução de Hong Kong foi impulsionada pelas entradas de capital provenientes da China continental, pelo desempenho dos mercados acionistas e pela atividade de ofertas públicas iniciais (IPO), segundo a BCG.
Investidores institucionais ganham peso
O Global Principal Investors Report 2026 aponta, por outro lado, para o aumento da influência dos grandes investidores institucionais na definição dos fluxos globais de capital.
Os ativos sob gestão de fundos soberanos e fundos públicos de pensões passaram de 21 biliões de dólares em 2015 para 43 biliões em 2025, representando cerca de 30% dos ativos geridos profissionalmente a nível mundial.
A BCG estima que este montante possa atingir 59 biliões de dólares até 2030, dando a estes investidores capacidade para influenciar a alocação geográfica de capital, os ‘spreads’ de crédito, os preços dos ativos e o acesso a oportunidades nos mercados privados.
“Os dois relatórios apontam para uma mudança mais profunda do que um simples ciclo positivo de mercados”, sublinha o documento, que identifica uma “reordenação estrutural dos mercados”, com maior concentração dos fluxos de capital em centros financeiros internacionais e maior peso dos investidores de grande escala.
Nesta nova geografia, Hong Kong e Singapura reforçam a posição como portas de entrada para o capital da China, Índia e Sudeste Asiático, enquanto a Suíça, os Estados Unidos e o Reino Unido continuam a desempenhar um papel central para a riqueza proveniente da Europa, Médio Oriente e América Latina.
Os mercados emergentes deverão acrescentar quase sete biliões de dólares em riqueza financeira até 2030, com Índia, Brasil e México entre os principais responsáveis pelo crescimento.
A BCG antecipa ainda a criação de mais de um milhão de novos milionários nestes mercados até ao final da década.
Ao mesmo tempo, os investidores institucionais estão a aumentar a exposição aos mercados privados, sobretudo ao capital privado e às infraestruturas, recorrendo também a estratégias de coinvestimento, investimento direto e criação de plataformas próprias.
Esta mudança ocorre num contexto de maior complexidade para estes investidores, com períodos médios de detenção dos ativos mais longos, máximos históricos no volume de ativos por realizar e pressão sobre as distribuições.
IA pode aumentar capacidade e receitas
A inteligência artificial surge como outro dos principais pontos de convergência entre os dois estudos.
Segundo a BCG, modelos operacionais desenhados de raiz para utilizar IA podem libertar ganhos de capacidade entre 25% e 30% e aumentar entre 15% e 20% a receita por assessor financeiro.
A tecnologia poderá ser aplicada em áreas como planeamento financeiro, documentação de conformidade, gestão de carteiras e antecipação da saída de clientes.
Entre os investidores institucionais, a IA está a ser encarada simultaneamente como uma prioridade de investimento e como uma ferramenta operacional, abrangendo toda a cadeia tecnológica, desde aplicações e modelos a infraestruturas, computação e energia.
A tecnologia está também a ser utilizada internamente em processos de diligência, seleção de gestores e criação de valor nas empresas participadas.
Para a BCG, a principal conclusão dos dois relatórios é que “o capital global está a tornar-se mais seletivo, mais concentrado e mais estratégico”.
Neste contexto, a capacidade de oferecer escala, previsibilidade, qualidade de execução e exposição a temas estruturais de crescimento será cada vez mais importante para países, empresas e instituições que procuram captar investimento.
A consultora considera que esta transformação pode constituir uma oportunidade para a Europa e, em particular, para economias como Portugal, desde que estas consigam combinar um enquadramento regulatório previsível, projetos com escala e capacidade de execução.
“Para economias como a portuguesa, isso significa competir não apenas por financiamento, mas por relevância estratégica dentro das novas cadeias globais de valor”, conclui a BCG.

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