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Migrações: Ex-comissário europeu considera crise em Ceuta ataque híbrido contra UE

Migrações: Ex-comissário europeu considera crise em Ceuta ataque híbrido contra UE

O ex-comissário europeu Thierry Breton considerou esta segunda-feira que a situação em Ceuta não foi uma crise migratória, mas o “primeiro ataque híbrido em larga escala” contra a UE, devendo ser investigado.
Numa entrevista ao jornal italiano La Stampa, Thierry Breton defendeu que a situação que se viveu em Ceuta evidenciou uma “crise de governação na União Europeia (UE), revelada por um fenómeno migratório”.
“Tratou-se do primeiro ataque híbrido algorítmico em larga escala contra uma fronteira externa da UE”, defendeu o comissário europeu para o Mercado Interno entre 2019 e 2024.
O ex-comissário europeu afirmou ser necessário que a Comissão Europeia abra urgentemente, ao abrigo da Lei dos Serviços Digitais, uma investigação para que se perceba como é que conteúdos nas redes sociais “desencadearam uma investida contra Ceuta”.
Esta investigação já tinha sido pedida na semana passada por Thierry Breton num artigo de opinião na revista digital francesa Le Grand Continent, no qual tinha considerado que a situação de Ceuta tinha evidenciado que “a desinformação direcionada pode hoje em dia produzir, em menos de 24 horas, um choque humano e político equivalente ao de uma operação militar”.
“Conhecíamos a ‘guerra dos migrantes’ conduzida por Minsk e Moscovo desde 2021 nas fronteiras da Polónia, Lituânia e Finlândia. Descobrimos agora a versão 2.0: mais rápida, mais viral, mais amplificada e mais difícil de atribuir”, referia.
Nesse contexto, Thierry Breton defendia ser “responsabilidade coletiva” dos europeus retirar, “sem demora, as verdadeiras lições do que aconteceu”, apelando para “investigação aprofundada, independente e pública”, que responda a cinco perguntas.
“Quem deu origem ao rumor? Quem o amplificou? Segundo que lógicas algorítmicas? Com recurso a que intermediários, eventualmente ligados a Estados? E por que razão os sistemas de recomendação das grandes plataformas, caso tenha sido esse o caso, deram maior destaque a esses conteúdos em vez de reduzirem a sua divulgação?”, pediu.
O ex-comissário europeu considerou que, sem responder a essas perguntas, os eurodeputados ficarão a “navegar às cegas perante uma ameaça que evolui rapidamente”.
Cerca de 72.000 pessoas entraram na cidade autónoma espanhola de Ceuta, situada no norte de África, em 24 horas na semana passada e 70.000 já voltaram a Marrocos, indicam dados das autoridades de Espanha.
Pelo menos 82 pessoas morreram a tentar chegar a Ceuta a nado.
Mensagens a circular nas redes sociais em Marrocos incitam a uma nova invasão em massa do território no próximo dia 15.
Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes que está localizado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.

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