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Nobel Dmitry Muratov alerta para possível uso de armas nucleares na Ucrânia

Nobel Dmitry Muratov alerta para possível uso de armas nucleares na Ucrânia

Dmitry Muratov, um dos fundadores do jornal Novaya Gazeta (há mais de 30 anos), Prémio Nobel em 2021 pelos seus esforços “para salvaguardar a liberdade de expressão” na Rússia (que leiloou a sua medalha do Prémio para apoiar os esforços humanitários da UNICEF em apoio aos refugiados ucranianos), considera que o presidente russo pode destruir a Ucrânia, mas não conquistá-la. Com o seu jornal a manter apenas uma versão online (mas pouco: as autoridades bloquearam o acesso ao site), o Nobel recorda que “a maioria dos líderes de opinião foi declarada ‘agente estrangeiros, ‘extremista’ ou ‘terrorista’. Várias centenas” deles.
“Os números variam, mas, em uma estimativa conservadora, desde o início da ‘operação militar especial’ da Rússia na Ucrânia, pelo menos 1.500 pessoas estão agora presas tendo-se manifestado contra a política. Isto é três vezes mais do que durante os dias selvagens da KGB na URSS”, disse, em entrevista à BBC.
O que o Kremlin presumia em 2022 que seria uma “operação militar” curta e bem-sucedida tornou-se o conflito mais sangrento da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, mas, ainda assim, Putin continua confiante na vitória da Rússia. “Nunca haverá ‘vitória’”, rebate Dmitry Muratov. “Porque o que vem acontecendo há quase cinco anos – não importa como termine – não pode já ser considerado uma vitória. “Não pode ser uma vitória quando duas nações eslavas destroçaram um milhão de pessoas, ou mais.” “Parece-me que a situação com a Ucrânia é esta: podem destruí-la, mas não podem conquistá-la. O que quero dizer com destruir? Escalada contínua até o uso de uma arma nuclear.”
Desde o início do ano, a necessidade de usar armas nucleares foi mencionada mais de 500 vezes. “Quando são malucos a dizerem-no, não presto atenção. Mas já ouvi esse discurso na TV estadual. E no Fórum Económico Internacional de São Petersburgo, um evento estatal, um dos palestrantes destacou o uso de armas nucleares como algo favorável.”
Quando anunciou a invasão em massa da Ucrânia em fevereiro de 2022, o presidente Putin falou em “garantir a segurança da Rússia.” “A segurança aumentou?” pergunta Dmitry Muratov. “Com drones ucranianos a atacarem armazéns da Wildberries; com a crise da gasolina, a interrupção da internet móvel, os presos políticos? A segurança aumentou?”
No entanto, e apesar das sondagens de opinião registarem uma queda na aprovação interna de Vladimir Putin, o presidente da Rússia – acredita Muratov – mantém um controlo firme sobre o poder. “Não acredito em toda essa conversa sobre uma divisão entre membros da elite, sobre conspirações secretas. O país é governado por Vladimir Putin. Eles têm medo dele. E esse medo é reforçado em todos os aspetos pela sua principal base de apoio: o Serviço Federal de Segurança (FSB).”
Por mais crítico que seja com o seu próprio governo, o Nobel tem poucas ilusões sobre o Ocidente: “Putin sabe muito bem o verdadeiro valor dos líderes europeus. Por um lado, eles falam com ele sobre direitos humanos. Ele ri-se porque, por outro lado, assinam acordos, ou costumavam assinar acordos, com a Rússia sobre comércio de petróleo, gás, diamantes…”

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