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“Portugal é uma das operações internacionais mais importantes da Faes Farma”

“Portugal é uma das operações internacionais mais importantes da Faes Farma”

Faturou acima de 390 milhões de euros no primeiro semestre e tem Portugal como uma das “operações internacionais mais importantes”. Em 2025, o grupo espanhol Faes Farma comprou a farmacêutica portuguesa Edol, reforçando a sua capacidade industrial e equipa.
O JE Falou com o CEO, Helder Cassis, sobre a estratégia e áreas prioritárias do grupo para crescer no setor de forma sustentável nos próximos anos.
O que mudou com a integração da Edol no Grupo Faes Farma?
A integração do Laboratório Edol no Grupo Faes Farma representa muito mais do que uma aquisição. Representa o nascimento de uma das plataformas farmacêuticas mais relevantes, especializadas e ambiciosas do mercado português, combinando a tradição, conhecimento e liderança do Laboratório Edol com a dimensão e capacidade internacional da Faes Farma. Simultaneamente, esta integração visa preservar o legado do Laboratório Edol e a relação de confiança construída ao longo de décadas com todos os parceiros e intervenientes do setor farmacêutico.
Esta operação permitiu criar uma organização mais robusta e preparada para o futuro. Com a integração, a Faes Farma Portugal passou a ocupar o Top 6 do mercado farmacêutico português em unidades, duplicou a sua faturação no país e tornou-se a segunda maior filial internacional do Grupo Faes Farma. Simultaneamente, reforçou a sua capacidade industrial para cerca de 25 milhões de unidades por ano e passou a contar com mais de 360 colaboradores.
A complementaridade não se limita às áreas terapêuticas ou à cobertura comercial. A Faes Farma aporta também marcas de referência e produtos líderes nos seus mercados, que reforçam significativamente a relevância da operação portuguesa.
Destacam-se, entre outros, a Bilastina, uma das moléculas de maior notoriedade na área da alergologia, e o Calcifediol, uma referência no tratamento da deficiência de vitamina D, ambos com posições de liderança e elevado reconhecimento junto da comunidade médica. Esta combinação entre a forte especialização da Edol em Oftalmologia e ORL e o portfólio diferenciador da Faes Farma permite criar uma proposta de valor única, mais abrangente e mais competitiva no mercado nacional.
O resultado é uma organização com maior capacidade de investimento, mais preparada para servir profissionais de saúde e doentes, e com condições reforçadas para continuar a crescer de forma sustentável nos próximos anos.
 
Que importância tem Portugal para o Grupo?
Portugal assume uma relevância estratégica para o Grupo Faes Farma. A aquisição do Laboratório Edol foi uma demonstração clara do compromisso de longo prazo do Grupo com o mercado português e com o potencial que identifica neste país.
Hoje, Portugal é uma das operações internacionais mais importantes da Faes Farma, não apenas pelo seu desempenho, mas também pela qualidade do conhecimento científico, pela proximidade aos profissionais de saúde e pela robustez das equipas locais. Esta integração permitiu reforçar ainda mais esta posição e criar uma plataforma com potencial para continuar a crescer. Portugal passa também a desempenhar um papel mais relevante enquanto plataforma de especialização, talento e capacidade industrial dentro do Grupo.
A nossa ambição é continuar a reforçar a presença local, expandir o portfólio, introduzir novas soluções terapêuticas e contribuir para o crescimento do setor da saúde em Portugal. Existe ainda um significativo potencial de crescimento orgânico, sustentado pela incorporação de novos produtos e pela consolidação da nossa posição em áreas terapêuticas estratégicas. Este crescimento será sempre orientado pelo princípio que define a nossa cultura e a nossa forma de atuar: colocar o doente no centro de todas as decisões. Procuramos gerar um impacto positivo na sua qualidade de vida através de soluções terapêuticas inovadoras, acessíveis e capazes de responder a necessidades reais de saúde.
 
Quais os próximos passos da estratégia de expansão?
A nossa prioridade passa por consolidar a integração e capturar todas as sinergias resultantes da combinação entre o Laboratório Edol e a Faes Farma. Consideramos que existe ainda um importante potencial de criação de valor através da partilha de competências, da otimização de processos, do aproveitamento das capacidades complementares de ambas as organizações e da integração progressiva das equipas e das culturas das duas empresas.
Paralelamente, continuaremos a expandir o nosso portfólio através do lançamento de novos produtos e da celebração de acordos de licenciamento que permitam trazer para Portugal soluções terapêuticas diferenciadas e inovadoras.
A Oftalmologia e a ORL continuarão a ser áreas prioritárias, onde dispomos de um conhecimento profundo do mercado, equipas altamente especializadas e posições de liderança consolidadas. Ao mesmo tempo, continuaremos a desenvolver as áreas históricas da Faes Farma, sempre com uma abordagem disciplinada e seletiva, privilegiando especialidades nas quais possamos aportar conhecimento, diferenciação e valor real para médicos, farmacêuticos e doentes.
 
Depois da Edol, estão de olho noutros laboratórios portugueses?
Neste momento, a nossa principal prioridade é continuar a executar com sucesso a integração do Laboratório Edol e a maximizar o potencial estratégico desta operação. Estamos muito focados em desenvolver todas as oportunidades que resultam da complementaridade entre as duas organizações.
Como é natural numa empresa com ambições de crescimento, o Grupo Faes Farma acompanha regularmente oportunidades que possam contribuir para a criação de valor e para o reforço do seu posicionamento estratégico.
Qualquer oportunidade futura será sempre analisada com base em critérios rigorosos, nomeadamente o alinhamento estratégico, a complementaridade dos negócios, a capacidade de integração e a criação sustentável de valor para o Grupo.
 
Como está atualmente o mercado de fusões e aquisições nesta indústria?
O mercado de fusões e aquisições no setor farmacêutico continua a gerar oportunidades, embora atualmente se caracterize por uma maior seletividade do que em anos anteriores. As empresas procuram cada vez mais ganhar escala, diversificar a sua presença geográfica, reforçar competências específicas e adquirir posições de liderança em áreas terapêuticas estratégicas.
Observamos também um interesse contínuo por ativos diferenciados e por empresas que ocupam posições relevantes em nichos terapêuticos especializados, onde existe conhecimento técnico, proximidade ao mercado e capacidade de inovação.
No caso da Faes Farma e do Laboratório Edol, a nossa experiência mostra-nos que este tipo de operações fazem sentido quando existe uma complementaridade industrial, comercial e terapêutica, e quando a integração permite reforçar as capacidades e sinergias, gerando valor de forma progressiva e sustentável a longo prazo.
 
Quais os objetivos de faturação para 2026?
Podemos afirmar que 2026 será um ano importante para a consolidação da nossa estratégia de crescimento. O foco estará na integração do Laboratório Edol, na expansão do portfólio, na introdução de novas oportunidades de negócio e no desenvolvimento sustentável das nossas operações em Portugal. Continuaremos a investir em áreas estratégicas e a reforçar a nossa proximidade aos profissionais de saúde.
Estamos confiantes na capacidade da organização para continuar a crescer acima da média do mercado em áreas-chave, sustentando esse crescimento em inovação, diferenciação e excelência na execução.

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