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McLaren McL 6GT: o sonho de Bruce

McLaren McL 6GT: o sonho de Bruce

O McLaren McL 6GT apresentado durante evento na Semana do Automóvel de Monterey, na Califórnia, EUA, recupera o espírito do M6GT de Bruce McLaren, de 1969, e combina a inspiração histórica com tecnologia contemporânea. O novo estudo antecipa automóvel de produção prometido para 2028 e recorre a uma construção integral em fibra de carbono, motor V8, tração traseira e, sobretudo, uma caixa de velocidades manual, recurso que o fabricante não utilizada desde o lendário F1 de 1992.
O McL 6GT, mais do que um exercício de “design”, antecipa um novo superdesportivo para produzir em número limitado. Este modelo será posicionado no topo da gama da McLaren e é inspirado em projeto de 1969, quando Bruce McLaren decidiu aplicar a experiência adquirida com o M6A que competiu no campeonato norte-americano Can-Am a partir de 1967 num automóvel de estrada.
Contudo, este programa interrompido de forma abrupta pela morte do neozelandês, a 2 de junho de 1970. O tinha apenas 32 anos quando perdeu a vida no circuito de Goodwood, Inglaterra, num acidente durante testes de desenvolvimento do M8D Can-Am. Este momento colocou ponto final no M6GT e, durante muitos anos, na ambição que a marca tinha de produzir o seu próprio automóvel de estrada.

O primeiro McLaren de estrada
Bruce McLaren pretendia criar um supercarro extremamente leve, baixo e rápido, mas suficientemente utilizável no dia-a-dia. Chegou, inclusivamente, a utilizar pessoalmente um M6GT nas deslocações para a fábrica e para as corridas.
O projeto tinha uma ambição ainda maior: homologar uma versão de competição para a categoria Group 4, com o objetivo de participar nas 24 Horas de Le Mans. À época, eram necessários 50 exemplares para cumprir os requisitos de homologação.
O M6GT é considerado pela McLaren o seu primeiro automóvel de estrada, mesmo de este sonho foi materializado apenas em 1992, com o F1. A ligação entre ambos é apenas conceptual e filosófica: baixo peso, foco no condução e aplicação à estrada de princípios e soluções de competição.

O M6GT original utilizava um motor V8 5.7 da Chevrolet e preparado pela Bartz, mecânica com 375 cv associada a uma caixa manual de 5 velocidades. Fizeram-se apenas alguns exemplares: a McLaren produziu um para Bruce e a Trojan fez mais dois chassis. Quase seis décadas depois, o McL 6GT recupera essa visão e adapta-a à tecnologia atual. O novo “concept” combina monocoque e carroçaria em fibra de carbono, motor V8, tração traseira e transmissão manual.
Recentemente, no Festival de Velocidade de Goodwood, Inglaterra, a McLaren Special Operations (MSO) reforçou esta ligação histórica ao apresentar uma reconstrução fiel do M6GT, desenvolvida com recurso a um chassis original de M6A, moldes da carroçaria encontrados no Reino Unido, peças restauradas e componentes fabricados de novo. Este modelo mantém o “small-block” da V8 Chevrolet e a caixa manual de 5 velocidades. A potência estimada é de 370 cv.
No McL 6GT, a caixa manual assume novamente um papel central. Num segmento dominado por sistemas automáticos de dupla embraiagem e motorizações híbridas, a McLaren recupera uma solução destinada a reforçar a ligação física entre condutor e automóvel. A direção hidráulica, os comandos físicos e o seletor manual de funcionamento mecânico seguem a mesma filosofia – este elemento incorpora uma representação tridimensional do Speedy Kiwi, símbolo histórico da McLaren, enquanto outros detalhes remetem diretamente para o M6GT original e para Bruce McLaren.

Desenho inspirado na competição
Visualmente, o McL 6GT recupera as proporções dos protótipos de competição da década de 1960, que foram reinterpretadas com recurso a técnicas contemporânea de engenharia que privilegiaram a eficiência aerodinâmica. O tejadilho prolonga-se para a cobertura do motor, criando uma silhueta contínua, enquanto o motivo “Racing Loop”, inspirado nos farolins do M6GT, é reinterpretado na arquitetura da carroçaria. A assinatura de Bruce McLaren surge no compartimento do motor e a matrícula original utilizada no carro de 1969 apresenta-se sob a forma de elemento gráfico.

No habitáculo, os materiais e comandos combinam tecnologia moderna com referências ao passado. Superfícies em fibra de carbono, alumínio maquinado e comandos físicos reforçam a abordagem tátil, enquanto a instrumentação reinterpreta elementos clássicos de forma contemporânea. A construção em fibra de carbono é, simultaneamente, estrutural e funcional. O monocoque e a carroçaria procuram garantir elevada rigidez com baixo peso, contribuindo para as características dinâmicas esperadas num McLaren.
O McL 6GT procura, assim, estabelecer uma ponte entre duas épocas. Recupera o espírito analógico e mecânico do M6GT, mas recorre a engenharia, materiais e tecnologia de ponta. Quase 60 anos depois, a marca britânica prepara-se para cumprir o sonho de Bruce McLaren de criar o seu próprio supercarro de estrada.
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