Gaza: negociações entre Netanyahu e Kushner terminaram num impasse
As negociações entre o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o enviado especial dos EUA, Jared Kushner, terminaram sem qualquer avanço concreto para fazer avançar o plano de paz em Gaza. A reunião de mais de três horas ocorreu em Jerusalém, logo após Kushner ter realizado um encontro raro no Egipto com a liderança do Hamas.
Apesar de o enviado norte-americano ter classificado o encontro como “muito positivo”, o impasse persiste devido a exigências inconciliáveis entre as partes. O principal entrave continua a ser a cronologia da retirada militar de Israel e o desarmamento do Hamas de forma que possa ser comprovada.
Netanyahu reiterou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) não vão retirar as suas tropas (que controlam cerca de 60% de Gaza) nem permitir verbas para a reconstrução até que o Hamas esteja “genuinamente desarmado”. O líder israelita chegou a pedir que um general dos Estados Unidos supervisionasse a entrega de armas. O roteiro de 15 pontos da administração de Donald Trump prevê uma retirada faseada das forças israelitas à medida que o desarmamento avança. Mas o governo de Israel recusa fazê-lo.
O Hamas aceitou a proposta sob a condição de que Israel interrompa os ataques e comece a retirar as tropas primeiro. Kushner pressionou Netanyahu para “não criar obstáculos” à implementação do acordo, mas sem sucesso segundo avnaça a imprensa israelita.
Críticos e diplomatas apontam para o facto de que a proximidade das eleições legislativas israelitas (que estão marcadas para 27 de outubro) ser condição para o primeiro-ministro – e candidato a continuar a sê-lo – ter pouca vontade e flexibilizar a sua postura. Até porque a coligação de governo depende de ministros de extrema-direita que rejeitam qualquer tipo de cedências, nomeadamente a simples existência de contactos com o Hamas.
As negociações acordaram a criação de pequenos grupos de trabalho bilaterais para lidar com questões de saúde pública e desarmamento técnico, mas o plano de paz central avançado pela Casa Branca permanece num impasse.
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