Lagarde garante que a Europa não pode ficar para trás na revolução da IA
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, alertou, esta quarta-feira, 19 de agosto, para o risco de a Europa ficar para trás enquanto a inteligência artificial transforma a economia mundial.
Num discurso na sede do Fórum Económico Mundial, em Genebra, Lagarde salientou que “a Europa ficou, em grande medida, à margem da primeira revolução digital, uma vez que os benefícios comerciais resultantes da expansão das tecnologias da informação e comunicação se concentraram de forma desproporcional noutras regiões”. “Não podemos permitir-nos repetir essa experiência com a IA, a segunda revolução digital”, disse.
Além disso, Lagarde afirmou que existem sinais encorajadores de que as empresas europeias estão a investir nesta tecnologia e citou dados de um inquérito segundo os quais as empresas da zona euro vão destinar este ano cerca de 9% do seu investimento total à IA.
Entre as soluções, defendeu a eliminação das barreiras internas que impedem as empresas de operar e crescer como “empresas europeias”, e não necessariamente como empresas de um determinado país. Nesse sentido, elogiou o modelo “EU Inc”, uma figura jurídica empresarial voluntária à escala da União Europeia que permitiria a uma empresa constituir-se uma única vez e operar com um único conjunto de regras em todo o espaço comunitário.
Lagarde destacou também as dificuldades que as empresas enfrentam para obter capital à medida que crescem. “Segundo o Banco Europeu de Investimento, as empresas de rápido crescimento da UE e as sediadas em São Francisco (Estados Unidos) captam montantes aproximadamente semelhantes nos primeiros cinco anos de atividade, mas, ao décimo ano, as empresas da UE captaram menos 50%”, referiu.
A líder do BCE defendeu, assim, uma integração mais rápida dos mercados de capitais da UE, para que as empresas com capacidade para crescer à escala europeia tenham também acesso a capital adequado. Precisamente esta semana, o BCE revelou que os aforradores europeus investiram 440 mil milhões de euros nas grandes empresas tecnológicas norte-americanas.
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