Brasil prevê comércio com ASEAN a superar em breve o dos EUA ou UE
O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou esta terça-feira, 18 de agosto, que o comércio entre o Brasil e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) poderá superar em breve o intercâmbio com os Estados Unidos ou a União Europeia.
“O comércio Brasil-ASEAN tem crescido a uma média de 15% a cada ano desde 2020”, afirmou Mauro Vieira após uma reunião com o secretário-geral da ASEAN, Kao Kim Hourn, em Brasília.
“Nesse ritmo, o intercâmbio comercial deverá ultrapassar aquele com parceiros tradicionais do Brasil, como os Estados Unidos ou a União Europeia, num futuro próximo”, acrescentou o ministro.
O montante do comércio entre o Brasil e os países da ASEAN passou de três mil milhões de dólares em 2003 para 38 mil milhões de dólares em 2025, o equivalente a 32,81 mil milhões de euros.
Este salto, citou Mauro Vieira, representa um aumento superior a dez vezes, em 22 anos, com o grupo formado por 11 países.
O ministro destacou que o Brasil já exporta mais para Singapura do que para a Alemanha e mais para Indonésia, Vietname, Malásia e Tailândia do que para França, sublinhando a importância crescente do mercado do Sudeste Asiático.
A ASEAN é atualmente o quinto maior parceiro comercial brasileiro com trocas de 38,4 mil milhões de dólares, cerca de 33,15 mil milhões de euros no câmbio atual, em 2025, atrás apenas de China, EUA, UE e o Mercosul.
Segundo o Governo brasileiro, esse montante respondeu por 15% do excedente comercial do Brasil no período, com um saldo comercial favorável ao Brasil de 10,3 mil milhões de dólares, o equivalente a 8,89 mil milhões de euros.
A reunião ocorreu durante a primeira visita de um secretário-geral da ASEAN ao Brasil num momento em que o Brasil procura mercados alternativos aos Estados Unidos, devido à guerra de tarifas do governo de Donald Trump.
Durante a reunião, Brasil e ASEAN discutiram oportunidades para ampliar a cooperação em áreas como energia, segurança alimentar, biodiversidade, florestas, comércio e investimentos.
Aos jornalistas, Kao Kim Hourn afirmou que a ASEAN e o Brasil são “parceiros naturais” e destacou o potencial de cooperação económica, desenvolvimento sustentável, segurança alimentar, agricultura, energias renováveis, bioenergia, ação climática e sustentabilidade ambiental.
O secretário-geral da organização disse ainda que o Brasil possui experiência reconhecida internacionalmente em agricultura, biocombustíveis, energia renovável, conservação florestal e inclusão social, áreas que podem ampliar a cooperação entre as duas regiões.
Kao Kim Hourn destacou igualmente que ASEAN e Brasil partilham um “forte compromisso com o multilateralismo baseado em regras, o diálogo, a cooperação internacional e uma ordem internacional fundamentada em normas”.
O secretário-geral afirmou também que a ASEAN analisa atualmente um documento conceptual sobre uma parceria com o Brasil, indicando que os Estados-membros deram mandato para realizar uma avaliação e avançar com o processo.
A declaração ocorre depois de Mauro Vieira ter reiterado o interesse brasileiro em obter o estatuto de parceiro de diálogo da ASEAN, condição que representaria um nível mais elevado aos atuais vínculos entre o Brasil e a organização.
O Brasil aderiu em 2012 ao Tratado de Amizade e Cooperação no Sudeste Asiático e tornou-se parceiro de diálogo setorial da ASEAN, mantendo desde 2024 um embaixador acreditado junto do secretariado da organização.
Para Mauro Vieira, o aprofundamento da relação está alinhado com a estratégia brasileira de diversificação das parcerias económicas, “coordenação em temas multilaterais e fortalecimento da cooperação Sul-Sul”.
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