Dívida pública dos EUA supera os 40 biliões
Esta semana, a yield do tesouro a 30 anos dos EUA atingiu 5,33%, o valor mais elevado desde junho de 2007. Também o rendimento soberano norte-americano a 10 anos subiu, chegando perto de 4,75%, depois de ter atingido 4,77% em janeiro de 2025 e 4,99% em outubro de 2023. Uma yield a 10 anos acima de 5% representaria o valor mais elevado desde julho de 2007. Também esta semana, a dívida pública norte-americana superou os 40 biliões de dólares pela primeira vez, representando atualmente o endividamento dos EUA cerca de 123,5% do PIB, considerando a projeção do FMI de 32,38 biliões de dólares para o PIB nominal em 2026, e 125,4%, tendo como referência os 31,9 biliões estimados pelo Congressional Budget Office norte-americano, o CBO.
A pressão sobre o mercado obrigacionista reflete sobretudo as preocupações dos investidores com a trajetória das contas públicas norte-americanas. O défice orçamental mantém-se próximo de 6% do PIB e permanece acima de 5,5% há seis anos consecutivos, aumentando continuamente as necessidades de financiamento do tesouro. Assim, o aumento sucessivo dos défices orçamentais norte-americanos nos últimos anos obriga o tesouro dos EUA a emitir cada vez mais dívida, pedindo emprestado cada vez mais dinheiro no mercado para financiar a sua despesa, preocupando os investidores, que exigem uma remuneração cada vez mais elevada para assumir o risco associado aos prazos mais longos. A situação é agravada pelas pressões inflacionistas, intensificadas pela guerra com o Irão e pela subida do petróleo.
A deterioração das contas públicas tem sido acompanhada por uma descida da classificação de crédito dos EUA. A S&P retirou o rating máximo AAA em 2011, após a crise financeira, reduzindo-o para AA+. A Fitch seguiu o mesmo caminho em 2023, baixando o rating de AAA para AA+, enquanto a Moody’s, a última das três principais agências a manter a classificação máxima, retirou-a em maio de 2025, reduzindo o rating de Aaa para Aa1. Esta deterioração ocorreu num período marcado por uma expansão sem precedentes do balanço da Fed. Antes da crise financeira de 2008, o balanço era inferior a 1 bilião de dólares, aumentando para 4,5 biliões em 2014, após sucessivos programas de compra de ativos, e atingindo os 9 biliões em 2022, na sequência das medidas adotadas para mitigar a recessão ditada pela pandemia.
O tesouro norte-americano reagiu à forte subida das yields esta semana. Scott Bessent anunciou na passada quarta-feira a duplicação das recompras destinadas a reforçar a liquidez da dívida de longo prazo, passando de 2 mil milhões para pelo menos 4 mil milhões de dólares por operação nos títulos com maturidades entre 10 e 30 anos. A medida vigorará entre 9 de setembro e 4 de novembro. A reação do mercado foi imediata. A yield a 30 anos recuou cerca de 9 pontos base para 5,19%, enquanto a dos 10 anos desceu para 4,65%. As recompras aliviam a pressão na parte mais longa da curva de rendimentos, onde o risco de crédito é mais elevado, e melhoram a liquidez, mas podem ter um efeito apenas temporário, tendo em conta os pequenos montantes quando comparados com os cerca de 32 biliões de dólares de dívida detida pelo público, cerca de 70% nas mãos de instituições e famílias norte-americanas. Entre os investidores estrangeiros, o Japão lidera com quase 1,2 biliões de dólares, 3% do total.
A intervenção evidencia, todavia, a crescente preocupação da administração norte-americana com o aumento dos custos de financiamento. Assim, as recompras não reduzem sustentadamente a dívida pública nem o défice orçamental, limitando-se essencialmente a retirar do mercado títulos mais antigos e menos líquidos. Sem uma alteração da tendência das contas públicas, as necessidades de financiamento permanecerão elevadas e os investidores poderão continuar a exigir yields cada vez mais altas para financiar o tesouro norte-americano.
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