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CPV / IS – Batina Racing: As raízes, o presente e o futuro da estrutura que coloca a família em primeiro lugar

CPV / IS – Batina Racing: As raízes, o presente e o futuro da estrutura que coloca a família em primeiro lugar

A Batina Racing atravessa uma das temporadas mais consistentes da sua história, mantendo-se na luta pelo título em três frentes simultâneas: o Iberian Supercars, o Campeonato de España de Supercars e o Campeonato de Portugal de Velocidade. Com a chegada de Nuno Pires como segundo piloto, a equipa ganhou um novo fôlego competitivo, somando o feedback de um piloto experiente à estrutura técnica da Autoworks Motorsport, parceiro que continua a ser fundamental no desenvolvimento do projeto.
Nas corridas de Vila Real tivemos uma conversa informal com Orlando Batina que nos mostrou a sua equipa por dentro. E encontramos mais do que uma equipa de competição. Encontramos um ambiente familiar onde reina a partilha e a boa disposição. A Batina Racing é mais do que uma estrutura competitiva. É uma reunião de família em que os membros se juntam nas pistas da Península Ibérica para confraternizar. Há famílias que aproveitam os aniversários para se juntarem. Neste caso as corridas são um motivo para todos se reunirem.

A operação é toda gerida por Orlando Batina, mas com a ajuda de toda a sua família. O interior do camião foi todo feito por ele e pelo pai, com todas as comodidades necessárias para o fim de semana. Também pai e filho unem esforços ainda antes do fim de semana começar, sendo a dupla responsável por conduzir o camião até as pistas. Num mundo de correrias, responsabilidades, onde nem sempre temos tempo para os nossos, Orlando Batina encontrou uma forma original e saudável, de passar mais tempo de qualidade com o seu pai.
Os resultados são importantes e ninguém sai de casa e dá tanto de si para competir, se não for com o objetivo de conseguir ter sucesso. Mas o prémio maior da Batina Racing está garantido ainda antes de fazer qualquer metro em pista… a reunião da família, a partilha de momentos únicos e a vivência de uma união muito própria.
Desafiamos Orlando Batina a fazer um balanço do ano, uma breve retrospetiva e a olhar para o futuro da sua equipa.

A Batina Racing mantém-se com uma boa evolução em 2026. Que balanço faz da época até agora?
Estamos onde queríamos estar, que é na luta pelo título nos três campeonatos, no Iberian Supercars, no Campeonato de España de Supercars e no Campeonato de Portugal de Velocidade. Sabemos das nossas limitações, mas entrámos com a mentalidade de sermos campeões e temos demonstrado isso. Estamos num bom caminho até agora. Vamos ver agora as três rondas que nos faltam, com três pistas em que nunca fomos muito felizes. Em Espanha, a nossa experiência é limitada, mas vamos contar com a nossa estrutura técnica, a Autoworks Motorsport, para nos ajudar.
A entrada do Nuno Pires trouxe ideias novas e uma nova perspetiva? Depois de uma bem sucedida parceria com o Sérgio Azevedo, foi bom mudar de segundo piloto e ter um feedback diferente?
Sim, o Nuno trouxe muito boas ideias e o feedback, neste momento, tem sido muito positivo. Conseguimos remar os dois para o mesmo lado e isso é sempre bom. Não sou muito a favor das mudanças, mas é sempre importante ter um feedback diferente, de um piloto com muito mais experiência do que o Sérgio, para percebermos em que ponto estamos enquanto equipa e também em que ponto está o carro.
E ao nível pessoal, como avalia a sua caminhada na velocidade, tendo começado nos Picanto e estando agora num dos maiores palcos da velocidade ibérica. Era algo que imaginava no início da sua caminhada?
Em relação à evolução, sinto que nem nos meus melhores sonhos, nem aquele miúdo de dez anos que sonhava com corridas, pensava que ia estar neste nível, a competir com esta competitividade. Começámos nos Picanto como brincadeira de escola e, neste momento, estou no campeonato mais importante da Península Ibérica e um dos melhores da Europa, com bons resultados, e estou contente. Muito graças também ao apoio da família e da equipa.

A Batina Racing mantém-se muito fiel às suas raízes, com uma estrutura muito familiar. Ao mesmo tempo, tem uma operação muito profissional que cada vez mais vai ombreando em pista com estruturas mais experientes e mais fortes. Qual o plano para o futuro? Continuar a crescer, ou a manter o espírito familiar, em que as corridas são uuma formade comunhão entre todos os membros?
Acho que a equipa, por muito que cresça, vai manter o ADN, que é aproveitar os fins de semana de corrida para reunir a família, reunir os amigos e confraternizar um pouco. Cada vez passamos menos tempo com as pessoas de quem gostamos e penso que a Batina Racing encontrou um momento e um espaço onde conseguimos reunir família e amigos para falar, para partilhar num ambiente agradável. Não esquecendo que, quando vamos para a pista, existe uma equipa técnica muito profissional por trás, neste caso a Autoworks Motorsport, existem pilotos que são rápidos, existe um engenheiro que é experiente e todos querem sempre o melhor. Mas nunca esquecendo as nossas raízes e de onde viemos.
A vida profissional também está muito ligada aos carros, Explique-nos um pouco mais o que é a Admatic e o seu papel?
Sim, a vida profissional está ligada aos carros neste momento. Há dois anos abracei o projeto da Admatic. Estou à frente de uma empresa de metalomecânica e, desde o início, abracei o projeto, que tinha como objectivo entrar na indústria automóvel e estar ligado também aos carros, um pouco mais afastado, mas está ligado a eles. Neste momento estamos a fabricar componentes, ferramentas, cunhas e cortantes para empresas do sector automóvel, e isso deixa-nos a todos muito contentes com esse alcance, com esse objetivo. Queremos agora continuar a crescer, como é lógico. Até porque usamos as corridas como uma alavancagem comercial neste ramo, em que as pessoas gostam muito de carros. Portanto, usamos o desporto automóvel como uma forma para fortalecer as ligações comerciais.
Tem levado lições do motorsport para a sua empresa ou é o contrário, tem aplicado a sua experiência na indústria ao mundo das corridas?
Acredito que é benéfico. Tenho aprendido muitas coisas na empresa que tenho levado para as corridas e coisas nas corridas que tenho levado para a empresa. Acho que ter novas experiências e colocar-nos em situações de desconforto permite-nos sempre aprender e nunca devemos ter medo de dar esses passos. Penso que é muito positivo termos experiências diferentes para as podermos aplicar em diferenças áreas da nossa vida.

Qual o futuro da Batina? Antevê uma estrutura com mais carros? Como gostaria de ver a sua equipa dentro de cinco anos?
Acredito que a Batina Racing não vá crescer muito mais que aquilo que é atualmente. A não ser que aconteça alguma coisa em contrário ou inesperada, porque, como falámos no início, queremos manter uma estrutura familiar, uma estrutura pequena, que possamos aproveitar sem levar o projeto para a vertente do negócio, como acontece com 90% das equipas que estão no campeonato. Queremos aproveitar as corridas como um hobby, na sua verdadeira essência. Por isso, não estou a ver a equipa a crescer num curto espaço de tempo.
Que avaliação faz da velocidade nacional e ibérica? O que está bem e o que gostava de mudar?
O Supercars Endurance está bom e muito competitivo. Talvez exista a necessidade de um maior rigor técnico ou regulamentar, diria eu. Mas, claro, sabemos que isso tem custos associados. Ainda assim, acho que o campeonato, já está nesse nível e já requer esse grau de exigência. Acredito que a Race Ready irá, num curto espaço de tempo, dar esse passo. Mas acho que está muito competitivo e tenho muito orgulho em estar num dos grandes campeonatos da Europa de GT4 a mostrar resultados e andamento.

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