Seguradoras em Portugal somam 461 milhões de lucro e produção cresce 18,1% no 2.º trimestre
O resultado líquido estimado das empresas sob supervisão prudencial da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) ascendeu a cerca de 461 milhões de euros no final do segundo trimestre.
“No final do segundo trimestre de 2026, a produção de seguro direto relativa à atividade em Portugal apresentou, em termos globais, um aumento de 18,1% face ao período homólogo de 2025. O ramo Vida cresceu 27,5%, enquanto os ramos Não Vida apresentaram um
crescimento de 9,2%”, revelou o regulador do setor.
Apesar da rentabilidade positiva e do aumento de ativos, a solidez financeira do setor registou uma ligeira erosão devida ao aumento da sinistralidade e à volatilidade de mercado.
O rácio de cobertura do Requisito de Capital de Solvência (SCR) fixou-se em 198% (uma redução de 14 pontos percentuais face a dezembro de 2025), enquanto o rácio de cobertura do Requisito de Capital Mínimo (MCR) recuou 37 pontos percentuais, situando-se nos 523%. Ambos os rácios continuam, ainda assim, confortavelmente acima dos mínimos regulamentares exigidos pela supervisão.
“O rácio estimado de cobertura do Requisito de Capital de Solvência (SCR) do conjunto das empresas sob supervisão prudencial da ASF foi, no final do segundo trimestre de 2026, de 198%, o que representa um decréscimo de 14 pontos percentuais face ao final de 2025”
Tempestades elevam indemnizações das seguradoras em Portugal no 2.º trimestre
As indemnizações pagas pelas seguradoras a operar em Portugal nos ramos Não Vida registaram um disparo homólogo de 35,2% no primeiro semestre de 2026, impulsionadas pelo pagamento dos sinistros provocados por um “comboio de tempestades” no início do ano, revelou a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF).
De acordo com o relatório trimestral do regulador publicado para o segundo trimestre de 2026, a produção global de seguro direto em Portugal atingiu mais de 9,4 mil milhões de euros até junho, correspondendo a uma subida de 18,1% face ao mesmo período de 2025.
O desempenho global foi alavancado sobretudo pelo ramo Vida, que avançou 27,5% para 4,96 mil milhões de euros, com destaque para os produtos de vida Não Ligados (excluindo PPR), que deram um salto de 59,8%. Em contraste, os Planos Poupança Reforma (PPR) recuaram 29,3% no conjunto das modalidades ligadas e não ligadas.
Nos ramos Não Vida, a produção de prémios cresceu 9,2% para 4,46 mil milhões de euros. No entanto, a rubrica de montantes pagos situou-se nos 2,91 mil milhões de euros (contra 2,15 mil milhões de euros um ano antes), refletindo a gravidade dos fenómenos meteorológicos adversos registados no arranque de 2026.
No ramo de Incêndio e Outros Danos — o mais afetado pelo mau tempo —, o montante pago em indemnizações disparou 195,1% no semestre. Como resultado, o rácio entre indemnizações pagas e prémios emitidos neste segmento escalou 77 pontos percentuais, atingindo os 123,2%.
As carteiras de investimento das seguradoras situavam-se em 59 mil milhões de euros no final de junho, o que representa uma subida de 4,4% face ao encerramento de 2025. O investimento continuou fortemente concentrado em títulos de dívida pública e privada, que representam a larga maioria das aplicações.
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