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Estado moçambicano gastou menos e cobrou mais no primeiro semestre

Estado moçambicano gastou menos e cobrou mais no primeiro semestre

O Estado moçambicano gastou menos e cobrou mais no primeiro semestre, após as receitas subirem para 2,48 mil milhões de euros e as despesas caírem para 2,54 mil milhões de euros, segundo dados do Governo.
De acordo com o Balanço do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) do primeiro semestre, a que a Lusa teve acesso esta segunda-feira, 24 de agosto, a receita do Estado atingiu 183.299,7 milhões de meticais (2,48 mil milhões de euros), correspondente a um grau de realização de 45,03% da previsão orçamental anual. Por sua vez, a despesa totalizou 188.253,4 milhões de meticais (2,54 mil milhões de euros), representando uma execução de 36,16% do limite anual aprovado.
Os dados do relatório apontam para uma melhoria das contas públicas face ao mesmo período de 2025. A receita do Estado aumentou 6,7%, face aos 171.801,4 milhões de meticais (2,32 mil milhões de euros) arrecadados no período homólogo do ano passado, enquanto a despesa total recuou 11,8%, face aos 213.432,5 milhões de meticais (2,89 mil milhões de euros) registados no primeiro semestre de 2025.
“Estes resultados indicam uma execução orçamental relativamente prudente, embora seja necessário assegurar a continuidade dos esforços de mobilização de receitas e de racionalização da despesa pública”, lê-se no documento, em que o Governo sustenta que a economia registou uma recuperação moderada durante os primeiros seis meses do ano, após a contração observada em 2025, na sequência de cinco meses de violência pós-eleitoral.
No plano macroeconómico, no balanço refere-se que “a economia moçambicana evidenciou sinais de recuperação gradual”, com o Produto Interno Bruto (PIB) a crescer 0,1% no primeiro trimestre de 2026, após as contrações registadas ao longo de 2025.
Ao mesmo tempo, a inflação média situou-se em 4,57% no primeiro semestre, acima da meta anual de 3,7%, enquanto a inflação acumulada atingiu 5,4%, num contexto marcado pelo impacto de choques climáticos, aumento dos custos de transporte e subida dos preços de bens importados.
Contudo, adverte que “o desempenho evidencia uma dualidade macroeconómica, por um lado, observou-se uma recuperação moderada da atividade produtiva interna, por outro, persistiram fragilidades associadas à volatilidade dos preços, aos choques climáticos, aos constrangimentos logísticos e às limitações estruturais da economia”.
No balanço do PESOE acrescenta-se que a execução das contas públicas continua condicionada pelos impactos dos eventos climáticos extremos, pelas limitações estruturais da economia e pelos constrangimentos que afetam a atividade produtiva e o comércio.

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