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Fundação Mendes Gonçalves lança guia para apoiar a regeneração dos solos agrícolas

Fundação Mendes Gonçalves lança guia para apoiar a regeneração dos solos agrícolas

A regeneração dos solos agrícolas começa antes da aplicação de qualquer técnica no terreno. É esta a principal mensagem do novo guia de boas práticas Proteção e Regeneração do Solo, apresentado pela Fundação Mendes Gonçalves, que pretende disponibilizar conhecimento científico de forma acessível a agricultores, técnicos e profissionais ligados à gestão do território.
Desenvolvido no âmbito do programa Regenerar, com apoio financeiro do projeto europeu Soilscape e enquadrado nos objetivos da Missão Solo do Horizonte Europa, o documento reúne recomendações práticas para promover solos mais saudáveis e sistemas agrícolas mais resilientes, produtivos e sustentáveis.
Num contexto marcado pelas alterações climáticas, pela escassez de água e pela perda de biodiversidade, a agricultura regenerativa tem vindo a afirmar-se como uma resposta aos desafios da produção alimentar. No entanto, o guia sublinha que não existem soluções universais e que qualquer estratégia deve começar pelo conhecimento aprofundado do solo.
Em vez de apresentar um conjunto de práticas aplicáveis a qualquer realidade, a publicação propõe uma metodologia assente na avaliação das dimensões física, química e biológica do solo. O processo passa pelo mapeamento do território, pela observação no campo e pela realização de análises laboratoriais, permitindo definir intervenções ajustadas às características de cada exploração.
“A agricultura regenerativa não deve ser encarada como uma receita que se aplica da mesma forma em todo o lado. O primeiro passo é perceber o estado do solo, quais as suas limitações e potencial. Com este guia queremos apoiar a disseminação de conhecimento científico, tornando-o não só mais acessível, mas, sobretudo, mais útil para quem tem de tomar decisões dia a dia no terreno”, afirma Manuel dos Santos, diretor do programa Regenerar da Fundação Mendes Gonçalves.
A publicação estrutura-se em torno de seis princípios considerados fundamentais para a regeneração dos solos: compreender o contexto, minimizar a perturbação do solo, aumentar o fornecimento de carbono, manter o solo permanentemente coberto, promover a biodiversidade acima e abaixo da superfície e integrar a pecuária nos sistemas agrícolas.
A partir destes princípios, o guia aprofunda seis áreas de intervenção: mobilização mecânica do solo, culturas de cobertura, utilização de matérias orgânicas e mulching, fertilização integrada, gestão de pragas e doenças e integração animal. Em cada capítulo são apresentados os fundamentos agronómicos das práticas, os seus benefícios, estratégias de implementação e os principais erros a evitar.
Entre as recomendações destacam-se as culturas de cobertura, apontadas como uma ferramenta para reduzir a erosão, melhorar a infiltração da água e aumentar a biodiversidade, bem como a valorização da matéria orgânica, essencial para reforçar a estrutura do solo, aumentar a retenção de água e melhorar a disponibilidade de nutrientes. O documento dedica igualmente especial atenção à fertilização integrada, defendendo uma gestão baseada nas necessidades efetivas das culturas e no equilíbrio nutricional do solo.
Para a Fundação Mendes Gonçalves, um dos principais desafios passa por aproximar a investigação científica da realidade quotidiana da agricultura.
“Um dos grandes desafios está em conseguir fazer chegar o conhecimento científico a quem trabalha diariamente no terreno, de forma útil e reaplicável. É esse o papel que queremos assumir com o programa Regenerar: criar pontes entre investigação e prática, partilhar conhecimento e contribuir para que agricultores e técnicos tenham cada vez mais ferramentas para tomar decisões informadas e ajustadas ao seu contexto”, acrescenta Manuel dos Santos.
O lançamento do guia integra a estratégia do programa Regenerar, iniciativa da Fundação Mendes Gonçalves dedicada à promoção da regeneração dos solos e da biodiversidade através da capacitação de agricultores, técnicos, escolas e comunidade. Reunindo referências científicas nacionais e internacionais, a publicação pretende servir como instrumento de apoio à adoção de práticas agrícolas sustentáveis, adaptadas às especificidades de cada território e de cada exploração.

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