Fabricante chinesa de chips para IA Enflame prepara entrada em bolsa
A Enflame Technology, uma das principais ‘start-ups’ chinesas de semicondutores para inteligência artificial (IA), vai abrir em 02 de setembro as subscrições para uma oferta pública inicial, visando captar 765 milhões de euros.
Num comunicado enviado esta quarta-feira 26 de agosto à Bolsa de Valores de Xangai, a empresa indicou que vai vender cerca de 43 milhões de ações, a um preço ainda por determinar, embora na documentação apresentada no pedido de admissão à bolsa em Xangai tenha avançado que pretende captar cerca de seis mil milhões de yuan (765 milhões de euros).
A Enflame é conhecida como um dos “quatro pequenos dragões” chineses do setor dos semicondutores para IA, juntamente com a MetaX, Moore Threads e Biren Technology, sendo a última deste grupo a avançar para bolsa.
As restantes protagonizaram ofertas públicas de grande dimensão entre o final do 2025 e o início de 2026.
A estreia da Enflame servirá também para avaliar o apetite dos investidores, depois de a Moore Threads ter disparado 425% na primeira sessão em bolsa, a MetaX 693% e a Biren 76%.
Na semana passada, a Unitree Robotics, o mais conhecido fabricante chinês de robôs humanoides, registou igualmente uma estreia fulgurante, ao valorizar 460%, no mercado STAR de Xangai, conhecido como o ‘Nasdaq chinês’ devido à concentração de empresas tecnológicas.
Desde então, as ações da Unitree perderam quase 45% face ao máximo atingido no dia da estreia.
Fundada em 2018 e com sede em Xangai, a Enflame vai reservar cerca de 8,6 milhões de ações para investidores estratégicos.
Os fundos captados vão ser utilizados no desenvolvimento e comercialização dos semicondutores de quinta e sexta gerações da empresa, no reforço das cadeias de abastecimento e na melhoria da capacidade de inovação independente.
Os “quatro pequenos dragões” beneficiaram das restrições impostas por Washington à exportação para a China de determinados semicondutores avançados da norte-americana Nvidia, no âmbito da disputa comercial e tecnológica entre as duas maiores economias mundiais.
As limitações norte-americanas abriram espaço no mercado chinês para fabricantes nacionais de processadores destinados à IA, numa altura em que Pequim procura reduzir a dependência de tecnologia estrangeira.
O interesse dos investidores nestas empresas tem sido igualmente impulsionado pelo apoio do Governo chinês ao setor dos semicondutores, considerado prioritário na estratégia de autossuficiência tecnológica do país e no plano quinquenal que orientará a segunda maior economia mundial até 2030.
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