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Afonso Santos: Entre os ralis e a Montanha, cada quilómetro serve para crescer

Afonso Santos: Entre os ralis e a Montanha, cada quilómetro serve para crescer

Entre os picos de velocidade, os sustos, a aprendizagem nos ralis e uma vitória absoluta na Taça de Portugal de Montanha disputada na mítica Falperra, 2026 Afonso Santos começa a destacar-se no panorama nacional.
Afonso Santos viveu uma primeira parte da temporada de contrastes, em que o jovem piloto da Póvoa de Varzim voltou a mostrar a velocidade que lhe deu o cognome de “Pocket Rocket”, mas também teve de lidar com o lado menos visível e mais exigente da competição: os erros, os acidentes, as desistências, a perda de confiança e a necessidade de voltar a construir tudo, quilómetro após quilómetro.
Afonso Santos não esconde essa realidade. Pelo contrário, encara-a de frente: “Tem sido positivo. Tenho aprendido bastante como piloto e evoluído a cada quilómetro que fazemos. Houve resultados bons e outros menos bons, mas estamos sempre a progredir, que é esse o nosso foco”, assume o piloto poveiro.

Nos ralis, o grande objetivo definido para 2026, Afonso Santos tem vivido uma época de picos fortes e momentos de desalento. Houve vitórias entre as duas rodas motrizes, bons resultados, prestações muito consistentes e sinais evidentes de evolução ao volante do Peugeot 208 Rally4, sendo atualmente 2º classificado no Campeonato de Portugal Júnior de Ralis, a apenas 7 pontos da liderança. Mas houve também saídas de estrada, abandonos e episódios que obrigaram o jovem piloto a enfrentar uma dimensão que muitas vezes fica escondida por detrás dos tempos e das classificações: a cabeça de um piloto.
“Cada despiste deixa uma marca. O psicológico é uma área muito importante de se trabalhar, porque os acidentes, os erros e as desistências acabam por atirar o psicológico de nós, pilotos, muito abaixo”, reconhece Afonso Santos. “Os acidentes criam falta de confiança no carro, em nós, nas notas, em tudo. É uma reação típica de quase todos nós, mas não podemos deixar que esses medos superem a vontade de vencer”, explica. E é aqui que surge a frase que talvez melhor defina este momento da carreira de Afonso Santos: “Uma vez, um amigo meu disse-me uma frase que ficou e vai sempre ficar comigo: o medo de perder não pode ser maior que a vontade de ganhar.”

Na Falperra, Afonso Santos regressou à Montanha para erguer a Taça de Portugal
E, no meio desta época feita de contrastes, houve um momento que se elevou acima de todos: a vitória absoluta na Taça de Portugal de Montanha JC Group, na mítica Rampa Internacional da Falperra.
Numa temporada em que o foco principal está claramente nos ralis, Afonso Santos regressou por um fim de semana à Montanha, o seu habitat inicial depois da saída dos simuladores. E regressou da forma mais forte possível: aos comandos da Osella PA2000 EVO2 da Power House, conquistou a Taça de Portugal de Montanha à geral num dos palcos mais emblemáticos, rápidos e exigentes do automobilismo nacional.
Na Falperra, Afonso Santos reencontrou uma parte essencial da sua identidade competitiva. A Montanha foi o espaço onde começou a transformar a velocidade virtual dos simuladores em velocidade real. Foi ali que começou a construir a reputação de piloto explosivo, rápido e capaz de surpreender. Regressar a esse cenário e vencer à geral, com um protótipo tão exigente como a Osella PA2000 EVO2, deu à época de 2026 um dos seus momentos mais marcantes.
“Para mim é dos títulos que mais valor tem”, confessa Afonso Santos. “Foi a minha primeira vez a conduzir um Osella e logo numa rampa rápida e exigente como a Falperra. Poder ter essa experiência e ainda ganhar a minha primeira prova de Montanha à geral e conquistar o título de Vencedor da Taça de Portugal de Montanha de 2026 juntamente com a Power House, foi muito especial para mim.”

A dimensão dessa conquista torna-se ainda maior quando se percebe o grau de adaptação exigido. Afonso Santos saltou dos ralis, onde o Peugeot 208 Rally4 exige leitura de notas, gestão de pisos, adaptação e trabalho em dupla, para um protótipo de Montanha, onde tudo acontece em modo absoluto, em poucos quilómetros, sem margem para hesitação.
“Em termos de condução não há qualquer tipo de parecenças. São estilos de carros muito diferentes, para provas muito diferentes, que exigem estilos de condução muito diferentes. Ambos são prazerosos de conduzir, mas a exigência de um Osella é muito superior em relação à de um Rally4, apesar de serem ambos fáceis de guiar.”
Mas se a Falperra mostrou o Afonso Santos mais explosivo, os ralis continuam a formar o Afonso Santos mais completo. O Peugeot 208 Rally4 preparado pela PT Racing tem sido a sua principal escola em 2026. Com ele, Afonso tem aprendido a gerir diferentes pisos, ritmos, níveis de aderência e exigências competitivas. O carro tem-lhe dado quilómetros, experiência e também visibilidade, tanto no Campeonato de Portugal de Ralis como na Peugeot Rally Cup Ibérica.
“Para além de todos os quilómetros e experiência que tenho obtido, a visibilidade que conseguimos ter com a presença no Campeonato Nacional de Ralis e na Copa Ibérica da Peugeot é, de facto, algo muito bom e positivo para mim, para os meus patrocinadores e para a equipa”, sublinha.
A ligação à PT Racing surge também como um dos pilares deste processo. A estrutura liderada por Paulo Antunes tem sido muito mais do que uma equipa técnica. Tem sido uma base de aprendizagem: “O Paulo Antunes e toda a sua equipa são nomes que não podemos deixar de parte quando falamos nos 208 Rally4 em Portugal. É uma equipa com muita experiência e conhecimento técnico do carro, e com a cereja no topo do bolo que é o próprio Paulo Antunes, um piloto que, sem sombra de dúvida, é um verdadeiro talento e consegue transmitir-nos toda a sua experiência e conhecimento para nos ajudar ao máximo”, destaca Afonso Santos.

2026 também trouxe um episódio especial: o regresso da irmã Mafalda Santos ao banco do lado direito, em Vale de Cambra, no Rally Series. Foi uma participação com carga familiar, mas também com forte valor competitivo: “Foi incrível. Já tínhamos feito um Rally Series de Lousada em 2025 num Yaris GR e desta vez fomos no nosso leãozinho. Ela esteve na perfeição, uma performance como nós dizemos, ‘à mundial’ e que queremos repetir”, elogia Afonso.
A internacionalização na Peugeot Rally Cup Ibérica abriu outra frente importante. A estreia no Rallye Rías Baixas, apesar de curta, mostrou ao jovem poveiro a dimensão da exigência fora de portas: “O ritmo português é alto, mas a verdade é que Espanha está um patamar acima de nós. O ritmo lá é endiabrado, as classificativas são de uma exigência altíssima, mas tudo isso é o que precisamos para evoluir ao máximo”, reconhece.
Mesmo depois da desistência na primeira classificativa, Afonso Santos retirou aprendizagem: “Percebi que tenho de trabalhar mais um pouco de tudo e começar a aumentar o ritmo gradualmente, mantendo sempre uma pequena margem de segurança nesta fase de evolução.”

A segunda metade da época surge, por isso, com objetivos muito bem definidos: “O foco está em melhorar de rali para rali, terminar todas as provas, ganhar confiança, ganhar quilómetros e dar o nosso melhor para obtermos o melhor resultado possível”, afirma.
Mais do que prometer vitórias, Afonso Santos promete evolução. E isso, nesta fase da carreira, talvez seja ainda mais importante: “Um novo Afonso Santos surge quilómetro a quilómetro, cada vez mais confiante, mais experiente, mas ainda com muito para aprender e melhorar. Temos agora meia época para que, no final do ano, a diferença entre o Afonso Santos de agora e o Afonso Santos do fim da época seja uma diferença notável e positiva.”
Afonso Santos continua a ser o “Pocket Rocket”. Mas 2026 está a dar-lhe algo mais: maturidade. E talvez seja essa a grande vitória desta primeira metade da temporada.

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