Hamas acusa Netanyahu de dar “via livre” aos colonos israelitas
O grupo islamista Hamas acusou este domingo, 30 de agosto, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, de dar “via livre” aos colonos no território palestiniano da Cisjordânia, onde se registam ataques e perseguições diárias a palestinianos e também a jornalistas.
Em comunicado, o Hamas afirmou que a escalada nos ataques dos colonos contra os palestinianos e as suas propriedades na Cisjordânia ocupada ocorre “com o apoio direto e a proteção do Governo de ocupação e do seu líder, o criminoso de guerra Netanyahu”.
“Estes ataques fazem parte de um plano sistemático para impôr novas realidades coloniais no terreno, acelerar os projetos de anexação e deslocação e tentar dobrar a vontade do nosso povo e expulsá-lo da sua terra”, escreveu a organização, na nota.
O comunicado surge após cerca de 20 colonos israelitas encapuzados atacarem trabalhadores palestinianos com gás pimenta, no sábado, e atirarem pedras contra um edifício na localidade de Qusra, cercada por colonos há semanas.
Também no sábado, colonos de uma localidade próxima agrediram uma equipa da cadeia de televisão norte-americana NBC e a mulher palestiniana que entrevistava, um ataque condenado pela Associação de Repórteres Estrangeiros de Israel e dos Territórios Palestinianos.
Depois deste ataque, do qual até ao momento não resultaram detidos, Netanyahu publicou um comunicado invulgar condenando “energicamente” a agressão e classificando os colonos como “um punhado de agitadores que violam a lei e causam uma enorme injustiça à população de colonos que respeita a lei”.
“As posições e declarações de Netanyahu e do seu Governo relativamente aos ataques dos colonos não são mais do que uma cortina de fumo para conter a crescente condenação internacional e aliviar a pressão externa”, disse o Hamas, na reação.
Netanyahu, que concorre para a reeleição nas legislativas israelitas de 27 de outubro, visitou na terça-feira um colonato israelita na Cisjordânia – ilegal, segundo o direito internacional – e vangloriou-se de ter expandido estes colonatos durante os seus mandatos.
O primeiro-ministro defendeu que a Cisjordânia é “a terra de Israel”.
“Esta é a nossa terra e continuará a ser nossa”, disse, comemorando “as conquistas em matéria de colonatos na Cisjordânia”.
O gabinete da Organização das Nações Unidas (ONU) para as questões humanitárias, o OCHA, divulgou no mais recente relatório sobre a Cisjordânia, no sábado, que durante este ano mais de 1.040 palestinianos ficaram feridos devido aos ataques de colonos.
Só na segunda e na terceira semanas de agosto, registaram-se 80 incidentes com colonos, que provocaram vítimas e danos materiais.
O exército israelita acorre frequentemente a estes ataques, apenas para deter os palestinianos agredidos e interrogá-los ou afastá-los do local, mas sem prender os colonos agressores, o que muitos organismos classificam como uma política de impunidade que leva à continuação da violência.
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