Air France/KLM vai deixar de ser assistida no handling em Portugal pela Menzies e passa para a Portway
A Menzies Portugal/SPdH perdeu o contrato comercial com a Air France/KLM para prestar serviços de handling (assistência em escala e carga) em Portugal e assinou contrato com a Portway para a prestação desse serviço, apurou o Jornal Económico.
Apesar de ser apenas um entre muitos contratos da SPdH (antiga Groundforce, agora controlada a 100% pela Menzies) com companhias regulares, a notícia ganha relevância numa altura em que o processo de privatização de 49,9% da TAP está na reta final, com propostas finais entregues pela Lufthansa e precisamente pela Air France-KLM.
Fonte oficial da Menzies Portugal disse ao Jornal Económico que “não comentamos questões de negócio”.
Contactada a Air France/KLM não respondeu.
Embora os contratos comerciais específicos entre companhias e operadoras de handling sejam privados, a Air France e a KLM eram clientes históricos da estrutura aeroportuária assistida pela SPdH em hubs como Lisboa e Porto.
Entretanto, fontes ligadas ao setor, mostram alguma surpresa por um grupo de aviação desta dimensão trocar a Menzies pela Portway. “A SPdH/Groundforce sempre foi a referência no handling em Portugal, a empresa líder a que as companhias mais importantes recorriam. A Portway sempre esteve mais orientada para as low-cost”, refere fonte que sublinha que “nunca, desde que a SPdH (agora Menzies) existe há quase 25 anos, um cliente com esta importância saiu para a Portway”. A mesma fonte sugere que a decisão da Air France/KLM pode estar relacionada com o aumento de preços praticados pelas Menzies e aponta para uma alegada “degradação do serviço”, mas que não foi possível confirmar junto da Air France/KLM.
No mercado português, a SPdH (antiga Groundforce, agora controlada a 100% pela Menzies) presta serviços a uma vasta carteira de companhias aéreas globais que operam nos aeroportos nacionais. Para além da TAP e da SATA, a Menzies tem contratos com a British Airways; com a Iberia; com a Emirates; e muitas outras companhias regulares. Bem como algumas charters e ad-hoc.
O Jornal Económico sabe que a Menzies se prepara também para assinar contratos novos.
Privatização: Governo escolhe comprador no início de setembro
O processo de privatização da TAP Air Portugal encontra-se na sua fase final e decisiva, estimando-se que as avaliações globais da companhia aérea se situem entre 1,4 e 2 mil milhões de euros e a Air France-KLM é um dos dois candidatos à compra da companhia aérea portuguesa que atualmente tem o handling assegurado pela Menzies. É imprevisível o que poderá acontecer a este contrato se a Air-France ganhar a corrida à compra da TAP.
Os dois grupos internacionais avançaram com as propostas definitivas no final de julho de 2026. O Conselho de Ministros deve tomar a decisão final sobre o comprador escolhido no início de setembro de 2026. O Governo vai vender 49,9% do capital. Destes, 44,9% são para um investidor estratégico e 5% ficam reservados aos trabalhadores.
O Governo português definiu um caderno de encargos composto por vários parâmetros de avaliação. Como os planos estratégicos e industriais da Lufthansa e da Air France-KLM são considerados muito equivalentes e ambiciosos, o preço final ganhou um peso decisivo para o desempate. O comprador é obrigado a garantir que o Aeroporto de Lisboa continua a ser a base operacional e a plataforma de ligação central da companhia. Outro critério é a apresentação de um plano industrial robusto que preveja o crescimento da frota de aviões e o reforço do emprego em Portugal. É também exigido um compromisso de investir no desenvolvimento das infraestruturas aeroportuárias nacionais.
A lista de requisitos inclui ainda garantias de investimento na modernização ecológica e na utilização de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF).
A TAP possui o estatuto de principal “ponte aérea” europeia para a América do Sul (com especial destaque para o Brasil). Isto torna-a uma peça altamente cobiçada pelos dois concorrentes devido ao reposicionamento de mercado que oferece. Atualmente, o grupo IAG (British Airways e Iberia) lidera o mercado UE-América do Sul com 20%, seguido da Air France-KLM com 17% e da Lufthansa com apenas 9%. A TAP detém 11% desse mercado. Se a Lufthansa vencer o processo, soma os seus 9% aos 11% da TAP e passa a liderar o mercado transatlântico para o Sul com 20%, ultrapassando a concorrência. O grupo alemão promete fazer de Lisboa a sua grande plataforma oficial para o Atlântico Sul.
Já o grupo franco-neerlandês, se adquirir a TAP, esmaga a concorrência direta do grupo IAG, elevando a sua quota conjunta para 28% e isolando-se no topo do mercado. A sua proposta conta ainda com o apoio estratégico da americana Delta Airlines para potenciar as rotas do Atlântico Norte.
Share this content:



Publicar comentário