Referendo. União Europeia respeita “não” da Islândia e primeira-ministra fala em “vitória para a democracia”
A Islândia rejeitou a reabertura das negociações de adesão à União Europeia (UE), num referendo que decorreu no último fim de semana, tendo as votações finais sido conhecidas no domingo 30, de agosto. À pergunta “A Islândia deve reabrir as negociações de adesão com a União Europeia?”, 52,8% (118.040 votos) dos islandeses responderam “não” e 47,2% (105.339 votos) “sim”, divulgados a televisão pública “RÚV”, recusando a retoma de um processo de adesão que tinha sido suspenso em 2013.
Apesar da Islândia já estar integrada na União Europeia através dos espaços Schengen e Económico Europeu este resultado acaba por ser um revés estratégico para a UE pela aproximação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump ao Atlântico Norte, com controlo das pescas e da agricultura, que pesam 40% das exportações, bem como o interesse em adjudicar a Gronelândia.
O território autónomo dinamarquês vizinho da Islândia ganhou importância numa altura em que o Ártico é muito cobiçado devido aos minerais raros e novas rotas comerciais. As ameaças de Trump tiveram um impacto muito particular na Islândia, cuja defesa é assegurada pelos Estados Unidos e pela NATO.
Argumentos que para os votantes do “sim”, demonstravam que perante a postura dos Estados Unidos a Islândia estaria mais segura dentro da União Europeia. No entanto, a vitória do “não” revela que para a maioria da população, esses argumentos ainda não foram suficientemente fortes para superar as preocupações com a soberania e o controlo nacional.
Recorde-se que a Islândia tinha apresentado a candidatura de adesão à UE na sequência da crise financeira global de 2008, que levou ao colapso do setor bancário do país, sobrecarregado pela dívida soberana, mas altura, a questão não foi levada a referendo.
No entanto, após anos de negociações, com a chegada ao poder de uma coligação eurocética, Reiquiavique enviou em 2015 uma carta a Bruxelas a informar que já não tencionava aderir ao bloco comunitário.
“Governo respeita e fala em “vitória para a democracia”
Esta recusa da Islândia em integrar a UE congela qualquer discussão sobre uma adesão islandesa pelo menos até 2028, altura em que termina a legislatura do governo de centro-esquerda da primeira-ministra social-democrata, Kristrun Frostadottir.
“Quero ser absolutamente clara: este Governo não retomará as negociações de adesão durante esta legislatura”, afirmou a primeira-ministra, em conferência de imprensa, citada pela AFP, depois de terem sido conhecidos os resultados da votação.
De resto, Kristrún Frostadóttir, considerou que a recusa decidida em referendo na Islândia para retomar as negociações para aderir à União Europeia foi “uma vitória para a democracia” e não “um revés”, sendo que antes da votação havia realçado que os islandeses deviam olhar para este referendo como uma oportunidade e não como uma decisão definitiva.
UE aponta Islândia como “parceiro próximo”
Da parte da União Europeia este resultado foi encarado com respeito e um reforçar da ideia de que a Islândia continua a ser um dos parceiros mais próximos e de maior confiança dos 27 Estados-membro.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, sublinhou, através do seu porta-voz, citado pela Efe, que “a UE respeita plenamente a decisão democrática do povo islandês” e reiterou que a Islândia “continua a ser um dos parceiros mais próximos e de maior confiança da UE”, nomeadamente através do Espaço Económico Europeu.
Segundo o porta-voz, António Costa trocou mensagens com a primeira-ministra da Islândia, Kristrún Frostadóttir, tendo ambos manifestado “o desejo de continuar a reforçar as relações entre a UE e a Islândia”.
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