Guerra no Médio Oriente atira TAP para prejuízos de 99 milhões
O preço elevado dos combustíveis devido à guerra no Médio Oriente atirou os lucros da TAP para prejuízos de 99 milhões de euros no primeiro semestre deste ano.
Os resultados são conhecidos numa altura em que decorre o processo de privatização da TAP, depois da Lufthansa e da Air France-KLM terem entregue as propostas vinculativas, que deverão começar a ser analisadas pelo Governo esta semana, com base no relatório da estatal Parpública.
A companhia viu os prejuízos agravarem em 28 milhões de euros para 99 milhões no primeiro semestre deste ano face a período homólogo. No segundo trimestre, o impacto da guerra foi particularmente gravoso, com uma queda de 97 milhões nos lucros para prejuízos de 59 milhões.
Só os custos com combustível aumentaram 19%, mais 89 milhões de euros, com a subida do jet fuel nos mercados internacionais com a guerra no Médio Oriente.
“Como expectável, o aumento muito significativo dos preços de combustível, nomeadamente do jet fuel, pressionou de forma relevante a performance da TAP no segundo trimestre. De facto, este impacto fez-se sentir de imediato nos custos, enquanto as medidas de mitigação ao nível da receita tendem a materializar-se de forma mais gradual, uma vez que grande parte da receita do
segundo trimestre já estava vendida aquando do aumento dos preços”, disse o presidente-executivo da TAP Luís Rodrigues.
O gestor destacou o “desempenho resiliente, com as receitas a crescerem no primeiro semestre,
suportadas pelo aumento da capacidade e pela melhoria das receitas unitárias. Esta performance foi acompanhada por melhorias operacionais assinaláveis, com o aumento da pontualidade e da regularidade das operações, bem como pela evolução positiva da satisfação dos nossos Clientes, demonstrando a solidez do nosso modelo de negócio e da nossa rede única”.
A companhia também destaca a emissão de 350 milhões de euros em dívida, “ao spread de crédito mais baixo de sempre da TAP numa emissão desta natureza, um claro sinal da confiança dos investidores na solidez do nosso percurso”.
Sobre o fim do Plano Estratégico, a TAP diz que inicia agora um “novo capítulo. Definimos um
Plano Estratégico para a próxima década, orientado para a criação de valor sustentável, cuja execução é acelerada pelo Programa Horizon, o nosso programa de aceleração digital, inovação e melhoria contínua. Continuaremos a executar este plano com disciplina, mantendo o foco na qualidade da receita, na resiliência operacional e no crescimento sustentável”.
A companhia apresentou um EBITDA recorrente de 182 milhões de euros no primeiro semestre, menos 77 milhões face a 2025, com uma margem de 8,9%, justificando a queda com a subida dos preços do combustível.
A companhia anunciou que transportou mais 4% de passageiros para um total de 8,2 milhões, com 57,5 mil voos, em linha com o ano anterior.
Já a capacidade aumentou 2%, “suportada pelo crescimento da operação transatlântica verificado no primeiro trimestre de 2026”.
As receitas subiram 4% para mais de 2 milhões, à boleia de mais vendas de bilhetes que subiram mais de 4%, com a melhoria da capacidade e da receita por passageiro que subiu 3% para quase 7 cêntimos, “refletindo sobretudo a performance positiva da América do Sul e da Europa, beneficiando da forte procura nestes mercados durante o primeiro trimestre de 2026”.
A TAP conta com quatro novas rotas a partir de Lisboa para destinos europeus (Ibiza, Alicante, Palma de Maiorca e Menorca), e a rota sazonal de longo curso para São Francisco, via Terceira.
A frota da companhia conta com 101 aeronaves, mais duas entre o primeiro e o segundo trimestre, depois da entrada de dois A320neo.
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