Moçambique/Ataques: Mais de 141 mil crianças apoiadas pela Unicef em Cabo Delgado
Mais de 141 mil crianças e adolescentes receberam cuidados de saúde primários em Cabo Delgado em 2025, tendo a Unicef reforçado o apoio, acesso à água e proteção infantil, numa das maiores operações humanitárias da organização em Moçambique.
O Relatório Anual 2025 do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a que a Lusa teve acesso, esta segunda-feira 31 de agosto, destaca que a conjugação entre resposta humanitária e reforço dos serviços públicos permitiu alcançar centenas de milhares de crianças e famílias naquela província do norte de Moçambique, afetada desde 2017 por ataques de grupos insurgentes.
“Ao longo do ano, os resultados mais significativos foram alcançados através da combinação da ação humanitária e o fortalecimento de sistemas a longo prazo”, refere o documento.
Na área da saúde, as unidades apoiadas pela organização permitiram o acesso de 141.067 crianças e adolescentes a cuidados de saúde primários, enquanto 111.833 crianças com menos de um ano receberam três doses da vacina contra a difteria, tétano e tosse convulsa (DTP).
A nutrição manteve-se como uma das prioridades da resposta, tendo a Unicef apoiado o tratamento ambulatório de 7.815 crianças com desnutrição aguda grave, ao mesmo tempo que 329.444 crianças receberam suplementação com vitamina A e 175.630 cuidadores beneficiaram de aconselhamento sobre alimentação de lactentes e crianças pequenas.
No setor da água, saneamento e higiene, 126.852 pessoas tiveram acesso a água potável em situações de emergência, 45.307 beneficiaram de serviços de saneamento de emergência e 140.111 receberam consumíveis essenciais de WASH (Água, Saneamento e Higiene).
“O acesso à água segura, ao saneamento e à higiene continuou a ser um grande desafio em Cabo Delgado em 2025”, assinala o relatório.
Na educação, 63.371 crianças afetadas pela crise receberam materiais de ensino e aprendizagem, enquanto 24.200 beneficiaram de infraestruturas escolares resilientes, incluindo espaços temporários de aprendizagem. Outras 5.709 crianças entraram no ensino formal na idade adequada através do programa de prontidão escolar.
Aponta ainda que 16.511 adolescentes e jovens beneficiaram de educação alternativa e formação vocacional, enquanto 2.825 professores, gestores escolares e membros dos conselhos de escola receberam formação.
No domínio da proteção infantil, 283.695 crianças, adolescentes, pais e cuidadores receberam apoio comunitário em saúde mental e apoio psicossocial, enquanto 87.981 raparigas adolescentes beneficiaram de programas de prevenção e mitigação das uniões prematuras.
A organização apoiou igualmente o registo de nascimento de 7.965 crianças e reportou a formação de 682 membros das Forças de Defesa e Segurança na prevenção de violações graves contra crianças em contextos de conflito.
Na área da proteção social, o Programa Subsídio à Criança dos 0 aos 2 anos alcançou 6.901 crianças vulneráveis nos distritos de Chiúre, Macomia, Quissanga, Mueda e Palma, através de transferências monetárias regulares para os agregados familiares.
A crise humanitária decorre da insurgência que afeta Cabo Delgado, província rica em gás, desde outubro de 2017. Segundo dados divulgados anteriormente pelo Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED), foram registados 2.408 eventos violentos desde o início do conflito, dos quais 2.224 envolvendo elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM), provocando mais de 6.600 mortos.
O impacto sobre as crianças continua a constituir uma das principais preocupações das organizações internacionais.
Um relatório das Nações Unidas sobre Crianças e Conflitos Armados, divulgado este mês, confirmou 552 violações graves contra 355 crianças em Moçambique durante 2025, sobretudo em Cabo Delgado, incluindo 175 casos de recrutamento e utilização de menores por grupos armados, 326 raptos, 23 situações de violência sexual e ataques contra 12 escolas e um hospital.
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