Aproximação implacável: a 20 pontos da liderança, Sami Pajari aperta o cerco a Elfyn Evans
Vinte pontos separam Elfyn Evans de Sami Pajari na recta final de um campeonato (muito) em aberto. Pela frente, três ralis para decidir o trono.
A diferença pontual no topo do campeonato mundial de ralis entre Elfyn Evans e Sami Pajari reduziu-se para apenas 20 pontos, após uma fase em que o jovem finlandês tem vindo a encurtar distâncias de forma consistente face ao piloto galês. Com apenas três provas por disputar — todas em piso de terra —, a luta pelo ceptro entra numa fase de aceso e imprevisível mano a mano.
A sequência de resultados recentes ilustra bem esta tendência de aproximação. No final do Rali do Japão — que terminou com triunfo de Elfyn Evans —, a margem pontual entre ambos fixava-se em 55 pontos. A partir daí, a distância começou a encolher: desceu para 46 pontos após o Rali da Acrópole, estagnou nos 30 pontos no ciclo entre a Estónia e a Finlândia, e caiu agora para a fasquia dos 20 pontos na sequência da ronda do Paraguai.
Contudo, a projecção matemática linear de que Evans poderá perder o campeonato a este ritmo esbarra na complexidade técnica e táctica das próximas etapas. Faltam disputar três ralis, todos em piso de terra, com a última prova do calendário ainda por definir. Nestes eventos, Elfyn Evans e Sami Pajari continuarão a ser os dois primeiros carros na estrada, uma posição de partida que acarreta fortes handicaps devido à limpeza de piso, especialmente para o líder do campeonato, podendo atirá-los para posições desfavoráveis em termos de recolha de pontos. Se essa circunstância penaliza claramente Evans, também representa um desafio para Pajari, que, necessitando de recuperar 20 pontos, está obrigado a maximizar o seu rendimento em todas as tiradas.
A análise às provas disputadas ajuda a contextualizar esta recuperação. Os ralis da Estónia e da Finlândia apresentam características que penalizam de forma menos severa quem abre a estrada nas primeiras posições. Já no Paraguai, a prova pautou-se por um cenário de verdadeiro caos competitivo combinado com um ritmo forte, elementos que propiciaram a ascensão de Sami Pajari até ao comando.
O piloto finlandês ocupava a sétima posição da classificação geral no final da PEC2, subiu ao quarto lugar no termo da PEC3 e alcançou a liderança na PEC7. Apesar das dificuldades iniciais e da ameaça de pluviosidade intensa que pairava sobre a prova, Pajari soube capitalizar os acontecimentos para assegurar uma posição privilegiada na estrada para o dia seguinte, consolidando um triunfo que marcou a sua terceira vitória consecutiva.
Apesar da excelente fase de forma de Pajari, a realidade dos próximos ralis poderá afastar-se do guião recente. Olhando para o histórico da temporada, em Portugal o piloto finlandês terminou no sétimo posto, enquanto Evans alcançou o terceiro lugar; já na Grécia, Pajari foi quarto e Evans quinto. As três rondas que encerram a época guardam maiores afinidades com as características encontradas em Portugal e na Grécia do que com a configuração específica da Estónia, da Finlândia ou com o figurino caótico do Paraguai.
Deste modo, o facto de Pajari ter somado três vitórias consecutivas não constitui uma garantia absoluta de que irá embalar rumo ao título mundial. A incerteza quanto ao comportamento dos pisos e à ordem de partida mantém a eliminatória em aberto, antevendo-se uma discussão restrita a dois principais candidatos, a menos que surjam incidências totalmente inesperadas nas derradeiras três jornadas da época.
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