Onde está a diferença entre Lando Norris e Oscar Piastri
Lando Norris e Oscar Piastri são uma das melhores duplas de pilotos da atualidade na F1. Mas a primeira metade do ano revelou um Piastri ligeiramente abaixo da forma de Norris… até chegar às duas últimas corridas onde a diferença de andamento foi clara. Onde está a diferença?
Andrea Stella ofereceu uma explicação sobre as dificuldades de Piastri em acompanhar o desempenho do companheiro de equipa, defendendo que o australiano está ainda a adaptar-se às exigências muito diferentes da atual geração de monolugares. O diretor de equipa da McLaren atribui essa dificuldade a fatores puramente técnicos, relacionados com a menor aderência dos carros deste ano, e não a qualquer causa psicológica.
Para Stella, uma das diferenças-chave está na forma como Piastri reage naturalmente quando o carro tem pouca aderência. Falando aos jornalistas em Zandvoort, o italiano explicou: “penso que já no ano passado tínhamos visto, com o Oscar, que do ponto de vista técnico de condução, quando o carro tem este nível baixo de aderência, como vimos, por exemplo, no México ou em Austin, ele precisa de adaptar a forma como conduz, a forma como pensa, as suas expectativas.” Stella acrescentou que essa adaptação exige um esforço mental adicional, que faz o piloto perder algumas décimas de segundo, “porque tem, de certa forma, de processar em vez de conduzir por puro instinto, já que o que acontece não é aquilo que se espera.” O diretor de equipa sublinhou tratar-se de um caso em que o piloto precisa de adaptar o seu estilo natural de condução às exigências do carro, mantendo-se a questão inteiramente no domínio da condução e da vertente técnica: “não penso que isto tenha nada a ver com qualquer tipo de questão psicológica. Isto é puramente técnico.”
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— McLaren Mastercard Formula 1 Team (@McLarenF1) August 27, 2026
Em Zandvoort houve sinais de que Piastri começava a encontrar um ritmo melhor, apesar de o resultado final não o refletir. “Penso que este fim de semana, na verdade, vimos o Oscar a mostrar tempos de volta competitivos”, destacou Stella, que ainda explicou os motivos para um resultado mais modesto: “houve dois fatores que afetaram o Oscar na corrida. Um foi o facto — e isso é uma responsabilidade da equipa — de que, quando parámos para cobrir o Russell, na verdade, perdemos a posição devido a uma paragem lenta. E isso é responsabilidade da equipa, não do Oscar.” O responsável acrescentou que, no segundo stint com pneus duros, a equipa não conseguiu colocar os pneus na temperatura ideal, mantendo-se estes permanentemente num regime de aderência muito, muito baixa, situação que não se tinha verificado no primeiro stint.
Stella contextualizou ainda a atual fase da Fórmula 1, marcada por uma competitividade extrema entre as equipas da frente: “estamos numa fase da Fórmula 1 em que temos pelo menos três equipas dentro de uma décima de segundo. E assim que as coisas não estão otimizadas, pode haver uma perda posicional muito significativa. Se não estiveres otimizado, de repente estás em sexto. É brutal deste ponto de vista, por isso penso que só temos de continuar a trabalhar com o Oscar em todas as oportunidades.”
Ainda assim, a McLaren não soa o alarme. Stella vê sinais de que Piastri está a evoluir na direção certa e acredita existir ainda margem considerável para o australiano recuperar a sua melhor forma antes do final da temporada, concluindo: “estou satisfeito com as melhorias que vi durante este fim de semana, e tenho a certeza de que haverá ainda mais para o resto da temporada.”
É normal numa mudança de era que alguns pilotos se adaptem melhor que outros. Lewis Hamilton, por exemplo, está muito mais à vontade com esta geração de carros, face à anteriori. Lando Norris também já disse publicamente que não gosta de pilotar os atuais carros, mas que tenta adaptar-se o melhor que pode. Mas Norris tem o dobro da experiência (em número de GP e em número de épocas) o que também contribui para ter uma melhor capacidade para responder ao desafio atual. Esta é já a terceira mudança profunda de regulamento técnico que Norris enfrenta, enquanto Piastri vive a sua primeira mudança mais vincada.
O australiano é um excelente piloto, mas vem de uma segunda metade de 2025 arrasadora a nível mental, e uma primeira metade de temporada 2026 em que se está a adaptar a um novo mundo. Psicologicamente não é a combinação ideal, mas terá de dar uma resposta o quanto antes. O seu lugar não está em jogo, mas se permanecer demasiado tempo neste nível, dúvidas poderão começar a surgir.
Foto: MPSA
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