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STPT exige reaproveitamento de mais-valias da Altice em salários e trava a saídas antecipadas

STPT exige reaproveitamento de mais-valias da Altice em salários e trava a saídas antecipadas

O Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Altice em Portugal (STPT) defendeu hoje que a empresa deve repartir os ganhos de produtividade através de aumentos salariais e exigiu o fim da saída antecipada de trabalhadores experientes.
Em comunicado emitido pela direção, o STPT sustenta que, “sempre que a empresa melhora os seus resultados graças ao esforço, à competência e ao compromisso dos seus trabalhadores, estes devem beneficiar dessa riqueza através de aumentos salariais, prémios de desempenho e até formas de compensação da fidelidade”.
No documento divulgado esta segunda-feira, a estrutura sindical repudia o afastamento de quadros seniores do grupo de telecomunicações.
“Basta de saídas antecipadas de trabalhadores mais experientes. Os trabalhadores mais antigos não podem ser ‘empurrados’ para fora a pretexto da evolução e transformação tecnológica ou da pressão concorrencial”, sublinha a direção do sindicato.
Apesar de considerar o setor das telecomunicações como “um dos pilares da economia portuguesa”, a estrutura representativa dos trabalhadores aponta que, na Altice Portugal e nas suas subsidiárias (como a Meo), os vencimentos “continuam relativamente abaixo dos praticados nos países europeus mais desenvolvidos”, pelo que a aproximação a esses patamares deve constituir prioridade.
Para alcançar este objetivo, o STPT propõe uma “estratégia sólida, responsável e sustentável” focada na valorização profissional através de formação contínua em áreas emergentes como inteligência artificial, cibersegurança, redes de nova geração e transformação digital.
A par do investimento contínuo nas qualificações e da redução da burocracia por via da automação de tarefas repetitivas, o sindicato exige a criação de carreiras profissionais transparentes com critérios objetivos fundados no mérito, de forma a evitar “situações de estagnação profissional que desmotivam os trabalhadores e promovem a saída voluntária de profissionais qualificados”.
O sindicato vinca ainda que as negociações salariais devem ter como base indicadores económicos concretos — designadamente a inflação, o desempenho financeiro das empresas e a evolução do setor —, ao mesmo tempo que reclama horários mais equilibrados, a promoção da saúde no trabalho e a facilitação de modalidades flexíveis de trabalho que permitam a conciliação com a vida familiar.
“Não é do interesse de ninguém travar a inovação tecnológica, impedir a modernização das empresas ou rejeitar a formação profissional”, refere a nota do STPT, ressalvando também que “não é sustentável exigir aumentos salariais desligados da realidade económica da empresa”, sob pena de comprometer o investimento, a competitividade e os postos de trabalho.

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