Wall Street cai com pressão de alta dos juros soberanos
A onda de vendas de obrigações globais intensifica-se em meio a receios de inflação, escreve esta terça-feira o Financial Times. As grandes economias globais estão a assistir a uma escalada no prémio que os investidores exigem para deter obrigações. No Japão, os juros atingiram máximos de 1996, enquanto, na Alemanha, já não se viam valores tão elevados desde 2011. Em reação os investidores arrastam Wall Street para quedas.
Wall Street arranca em baixa, seguindo a onda negativa europeia, no dia em que se aguardam por dados de atividade industrial nos EUA, pelas 15h de Lisboa.
O Dow Jones recua -0,49% para 52.926,9 pontos; o S&P 500 cai -0,68% para 7.633,99 pontos e o Nasdaq perde -1,34% para 26.017,3 pontos.
Wall Street entra assim em setembro — historicamente o mês mais fraco do ano para as ações — depois de ter fechado agosto com ganhos, ainda que o S&P 500 já mostrasse sinais de perda de fôlego no final do Verão.
Segundo os analistas do BCP, o reacender das tensões no Médio Oriente voltou a empurrar os preços do petróleo para cima, elevando a probabilidade de subidas de juros tanto pela Reserva Federal (Fed) como pelo Banco Central Europeu (BCE) já em setembro. O efeito é visível nas yields da dívida soberana: um indicador global da Bloomberg está a atingir o nível mais elevado desde 2008.
Nas obrigações, a yield da dívida do Tesouro norte-americano a dez anos subiu para 4,78%, o nível intradiário mais elevado desde janeiro de 2025, enquanto a taxa a 30 anos avançou para 5,27%, próxima de máximos de várias décadas.
Global bond sell-off deepens amid inflation fears
A liquidação global de dívida soberana intensifica-se, à medida que o receio de inflação persistente volta a dominar os mercados obrigacionistas. Do Japão ao Reino Unido, passando pelos EUA e pela Zona Euro, as yields de longo prazo acumulam subidas, um movimento que os analistas do BCP associam diretamente à perspetiva de novas subidas de juros por parte dos principais bancos centrais.
As declarações do presidente do Banco Central norte-americano na passada sexta-feira em Jackson Hole vieram reforçar essa tese, ao mostrar compromisso em trazer a inflação de volta à meta dos 2% ao ano.
Já esta manhã foi indicado que na Zona Euro a inflação terá aumentado dos 2,9% em julho para os 3,3% em agosto.
Também na Ásia e na Europa os sinais apontam no mesmo sentido: a yield da dívida pública japonesa a dez anos — Tóquio é o maior detentor estrangeiro de dívida norte-americana — atingiu os 3% pela primeira vez desde 1996, enquanto os títulos do Tesouro britânico a 30 anos chegaram ao nível mais alto desde 1998.
O dia fica ainda marcado, nos Estados Unidos, pela divulgação do relatório JOLTS de ofertas de emprego, o primeiro de uma série de indicadores do mercado de trabalho esta semana, que culmina na sexta-feira com o relatório mensal de emprego.
Nas commodities, o petróleo Brent sobe +2,22% para 92,5 dólares e o crude WTI no NYMEX sobe +2,67% para 88,95 dólares.
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