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Carneiro diz que Montenegro não deve dar dar “razões” para “efeitos pirotécnicos” do Chega sobre MAI

Carneiro diz que Montenegro não deve dar dar “razões” para “efeitos pirotécnicos” do Chega sobre MAI

O secretário-geral do PS afirmou esta terça-feira, 1 de setembro, que o caso em torno de ministro Luís Neves está a “degradar a autoridade política” do Estado e que o primeiro-ministro não deve dar “razões” para permitir os “efeitos pirotécnicos” do Chega.
“Tudo o que se tem vindo a passar contribui também para a fragilidade política da autoridade do primeiro-ministro”, afirmou José Luís Carneiro, questionado pela Lusa à margem de um jantar com empresários portugueses e moçambicanos em Maputo, onde está em visita.
“Sabemos também que há um partido que utiliza, usa e abusa dos efeitos, digamos, pirotécnicos, para criar factos e para desestabilizar as instituições políticas e democráticas. Mas se é verdade isso, nós não podemos dar-lhe razões para que isso possa acontecer. E, portanto, o primeiro-ministro tem uma responsabilidade que é só dele, só ele a pode exercer”, acrescentou.
Por isso, insistiu o líder do PS, “não pode o primeiro-ministro também ficar ele próprio fragilizado na sua autoridade política” neste processo, mesmo depois das garantias dadas hoje pelo ministro da Administração Interna (MAI), Luís Neves.
“Tudo o que se tem vindo a passar contribui também para a fragilidade política da autoridade do primeiro-ministro, porque o que está aqui em causa é um arrastar de uma situação que quanto mais tempo demorar, e por isso o senhor Presidente da República pediu celeridade às entidades que estão a fazer os seus inquéritos e a averiguar os factos, por forma a que este processo não conduza, portanto, à degradação da confiança dos cidadãos nas instituições democráticas”, afirmou ainda.
Para José Luís Carneiro, o caso “está a degradar a autoridade política do Estado”, garantindo que sobre isso “nenhum português tem dúvidas”, deixando a responsabilidade em Luís Montenegro.
“Eu, no dia 29 de julho, transmiti o meu parecer ao senhor primeiro-ministro, Dr. Luís Montenegro. A responsabilidade pelo que se passou, pelo que se terá passado e pelo que se poderá vir a passar no futuro é, naturalmente, uma responsabilidade que deve ser colocada ao Primeiro-Ministro. E só ele é que deve avaliar e só ele é que pode avaliar, porque é ele que forma o seu Governo, se o ministro tem ou não tem condições para o exercício das funções”, conclui.
O ministro da Administração Interna considerou hoje que “a destruição pessoal e política ultrapassou todos os limites” quando o presidente do Chega, André Ventura, o comparou a um ‘gangster’.
“Não posso ignorar o que está a acontecer no debate político. Nas últimas semanas, assistimos a uma escalada de mentiras, insinuações, e de destruição pessoal e política que ultrapassou todos os limites”, declarou Luís Neves, na cerimónia de comemoração dos 148 anos do Comando Regional da PSP da Madeira, que decorreu em Câmara de Lobos.
O ministro disse que “podia falar no abstrato”, mas apontou diretamente ao presidente do Chega, André Ventura: “Comparou-me a um ‘gangster’ e até já falou que só falta que ande a vender droga na rua”.
Luís Neves acrescentou que o presidente do Chega tem feito insinuações e acusações, sem provas, com o objetivo de “destruir” a sua reputação.
“Isto não é escrutínio, isto não é investigação política”, afirmou o ministro, defendendo que tem “mais de 30 anos dedicados ao serviço público” e “um legado operacional e de dirigente que é à prova de bala”.
“Durante mais de 30 anos combati grandes criminosos, gangsters mesmo, e criminosos da pior espécie, com gente brava, gente corajosa, quer da PJ quer de outras forças. […] Eu sei do que falo”, realçou o governante.
“Sem provas não há acusação, há difamação”, reforçou.
Após o discurso oficial, em declarações aos jornalistas, o ministro referiu ainda que estará disponível para “responder a qualquer questão” de André Ventura no debate regimental da Assembleia da República, na próxima semana.
Na semana passada, Ventura já tinha admitido avançar com uma moção de censura caso o primeiro-ministro não resolvesse a situação do ministro da Administração Interna, que considerou ter atingido um nível “grotesco” e “inaceitável”.
Interrogado sobre se admitia recuar na apresentação desta moção caso as explicações de hoje do ministro fossem esclarecedoras, André Ventura considerou essa hipótese difícil, fazendo referência à polémica com um atrelado apreendido numa operação contra tráfico de droga e descoberto numa empresa contratada pela PJ (quando Luís Neves liderava a PJ) e pelo governante, e o facto de Luís Neves conduzir um carro apreendido pela polícia.

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