A carregar agora

Petróleo volta a fechar acima dos 90 dólares à boleia de hostilidades em Ormuz

Petróleo volta a fechar acima dos 90 dólares à boleia de hostilidades em Ormuz

O petróleo fechou mais uma sessão em alta, mantendo-se acima dos 90 dólares à boleia da continuação das hostilidades no Estreito de Ormuz. O secretário da Energia norte-americano garante que mais de 17 milhões de barris atravessaram aquela via marítima na segunda-feira, mas nem assim os mercados deixaram a agitação que tem marcado os últimos dias.
O barril de Brent, a referência para os mercados europeus, subia 0,9% por volta das 17h em Portugal continental, ou seja, negociando em torno de 95,5 dólares (82,4 euros). Comparando com os valores há uma semana, a subida fica quase nos 10%. Já o crude WTI, a referência do outro lado do Atlântico, subiu menos, avançando 0,6% até 90,75 dólares (78,3 euros).
Os valores ficam abaixo do registado no pico das hostilidades entre norte-americanos e iranianos, quando o barril superou largamente a fasquia dos 100 dólares, mas nem por isso deixam de criar problemas na economia mundial. A perturbação mais óbvia é a que se verifica nos mercados obrigacionistas, onde as yields têm disparado face à iminente subida das taxas diretoras em várias economias ocidentais, dada uma inflação elevada, persistente e que deverá voltar a agravar-se com os episódios da última semana.
Os EUA tentaram lançar alguma calma sobre o caso, com o secretário da Energia Chris Wright a garantir em entrevista à “CNBC” que mais de 17 milhões de barris haviam transitado Ormuz na segunda-feira, o que significaria que a região estaria a conseguir exportar mais petróleo do que antes de 28 de fevereiro, quando norte-americanos e israelitas decidiram começar a bombardear o Irão.
O governo de Teerão está “a perder a capacidade de manter a economia global refém”, defendeu o governante norte-americano. No entanto, as fontes governamentais dos EUA têm consistentemente apresentado números do tráfego marítimo internacional em Ormuz acima dos reportados por agência independentes, levantando questões sobre a sua fiabilidade.
Apesar da tendência negativa, o economista Pedro Braz Teixeira destaca dois aspetos que acabam por conter um pouco os efeitos na economia real portuguesa: por um lado, “o setor da refinação está muito limitado” a nível global, o que tem feito com que os preços nas bombas tenham reagido lentamente à descida da cotação internacional. Assim, nova subida acaba por não ter um efeito tão imediato nos preços da energia para famílias e empresas.
“E como a pressão é generalizada a nível mundial, afeta a concorrência igualmente, portanto, em princípio, não cria problemas específicos às empresas portuguesas”, completa.
Por outro lado, a subsequente subida das taxas diretoras face a nova onda de pressão nos preços está já a ser incorporada pelos mercados, o que cria margem para que os agentes se adaptem à expectativa de nova subida nos custos da dívida. No entanto, o agravamento do serviço da dívida, tanto em termos de finanças públicas, como para empresas e famílias, será mais uma fonte de pressão para a economia real.
Ainda assim, os combustíveis em Portugal deverão ter novo salto na próxima semana, com o gasóleo a saltar 14 cêntimos e a gasolina sete. E outros impactos demorarão mais a materializar-se, como a subida expectável dos fertilizantes, que irá pressionar toda a cadeia do agroalimentar.

Share this content:

Publicar comentário