Banco central neerlandês retira ouro de Nova Iorque devido à “instabilidade política crescente”
O banco central neerlandês decidiu mudar as suas reservas de ouro de Nova Iorque para Londres, citando uma “instabilidade geopolítica crescente” como o principal motivo. A mudança fica em linha com os avisos cada vez mais audíveis de vários atores quanto à perda de credibilidade dos Estados Unidos (EUA) como parceiro, sobretudo sob a administração Trump.
Foram retiradas mais de 78 toneladas de ouro da cidade norte-americana para a capital inglesa, onde, explica o governador neerlandês, Olaf Sleijpen, o banco central espera ter “aumentado a nossa capacidade de negociar as nossas reservas de ouro”, bem como a “preparação para crises” ao diversificar a sua localização.
A transferência ocorre depois de vários alertas e pedidos entre Estados-membros europeus para que os bancos centrais do Velho Continente retirem as suas reservas dos EUA. O receio principal é que Trump possa decidir confiscá-las por motivos geopolíticos ou para influenciar internamente a Reserva Federal, que tem estado debaixo de fogo pelo presidente por não baixar os juros diretores.
Já França havia avançado com uma decisão semelhante na segunda metade do ano passado, quando retirou todas as suas reservas de ouro da Fed de Nova Iorque. À altura, o governador francês, François Villeroy de Galhau, rejeitou que a decisão tivesse qualquer motivação política.
Também na Alemanha e Itália tem havido pedidos crescentes e de ambos os extremos do espectro político para que os bancos centrais nacionais retirem as suas reservas dos EUA.
Com reservas totais de 612 toneladas de ouro, a parcela movida pelo banco central neerlandês representa assim apenas uma parte do seu stock total. Além das 78 toneladas retiradas de Nova Iorque, os neerlandeses retiraram outras sete toneladas de Ottawa, no Canadá. De frisar, no entanto, que apenas 27 toneladas foram fisicamente movidas dos EUA e Canadá para Londres, sendo as restantes vendidas e usadas para financiar novos lingotes deste lado do Atlântico.
Num rally que dura já há vários semestres, o ouro ultrapassou no ano passado os títulos do Tesouro norte-americanos como o principal ativo de reserva mundial, tendo batido sucessivos máximos na cotação internacional à boleia de tensões crescentes geopolíticas e comerciais.
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