A carregar agora

Dinheiro mais caro está a dificultar grandes negócios em Portugal

Dinheiro mais caro está a dificultar grandes negócios em Portugal

Os negócios de compra e venda de empresas estão a abrandar em Portugal. O valor das operações este ano caiu quase 60% para 5,4 mil milhões de euros até agosto, segundo os dados da TTR Data. Também o número de transações desceu quase 30% para cerca de 330 operações. Nos últimos quatro anos, destaque para 2025, quando foram fechados negócios na ordem dos 18,5 mil milhões de euros, uma subida de 36% face a 2024.
Dos negócios realizados este ano, os compradores com origem em Espanha surgem em destaque com compras na casa dos 380 milhões num total de 25 transações. Seguem-se os compradores do Reino Unido (220 milhões) e do Luxemburgo (208 milhões).
Entre os negócios a serem feitos, destaque para a queda de mais de 50% das compras de empresas portuguesas por norte-americanas, em números de transações, apesar de o ano ainda não ter terminado.
Já em termos de empresas portuguesas a ir comprar lá fora, o mercado espanhol surge em destaque: mais de 1,1 mil milhões de euros em compras em Espanha, com 34 transações. Segue-se o Brasil com 705 milhões e a Alemanha com 275 milhões.
Um dos grandes negócios já fechados este ano em Portugal é a compra da cimenteira Secil à Semapa pela espanhola Molins por 1,4 mil milhões de euros.
No mercado nacional, existe o sentimento de que não tem sido fácil concluir operações este ano. Uma das razões é que o custo do financiamento está a aumentar, com a subida das taxas de juro depois de o BCE ter subido as taxas de juro em junho e o mercado esperar agora nova subida em setembro.
A guerra no Médio Oriente pressionou o preço dos combustíveis levando a uma nova subida da inflação. Ao mesmo tempo, os juros da dívida soberana estão novamente a subir. Esta semana, investidores em todo o mundo procederam à venda de forma massiva de obrigações de países, com as ‘yields’ a atingirem máximos de 15 anos na Europa. Na Alemanha, o ‘bund’ a 30 anos atingiu um máximo de 15 anos, com a dívida francesa em máximos de 18 anos. Os investidores querem ser melhor remunerados para comprar obrigações numa altura em que a guerra complica a macroeconomia global: petróleo e combustíveis mais caros, inflação acima das metas e orçamentos nacionais debaixo de fogo.
Também o desfasamento das expetativas entre os vendedores e os compradores estão a colocar entraves nos negócios, segundo as fontes ouvidas pelo JE.
Outro dos entraves em cima da mesa, que ajuda ao desencontro de expetativas entre os vendedores e compradores, são os ambiciosos planos de negócios que os vendedores querem que seja cumprido.
No final do primeiro semestre, o Goldman Sachs já tinha avisado que a “inflação persistente e volatilidade das taxas de juro” eram dois dos ventos adversos para o resto do ano.
“Qualquer ressurgimento da inflação poderá levar a um aumento das taxas de juro, potencialmente elevando o custo do capital e reduzindo a atividade de operações de aquisição”, segundo os analistas do banco norte-americano.
“Os negócios vão tornar-se mais complexos à medida que a volatilidade torna-se” o novo normal, avisou.
O primeiro semestre até correu bem a nível global, com o volume de fusões e aquisições a subir 48%, com o banco a acreditar que a tendência vai-se manter no resto do ano, talvez com as empresas a tentarem anteciparem-se a tempos mais difíceis para obter capital.
“Estamos apenas no quarto ano do ciclo atual de M&A com espaço substancial para crescer, apesar de pressões inflacionárias e geopolíticas. Um paradoxo de volatilidade emergiu, com a urgência estratégica a ultrapassar a incerteza macroeconómica”, segundo o Goldman Sachs.
Já um estudo da Roland Berger revelou que mais de 75% dos profissionais do setor antecipam um aumento no volume de fusões e aquisições. Portugal e Espanha afirmam-se como “portos seguros” para o capital internacional.

Share this content:

Publicar comentário