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Espanhóis preocupados com cabo submarino entre Portugal e Marrocos

Espanhóis preocupados com cabo submarino entre Portugal e Marrocos

O projeto de uma auto-estrada de eletricidade submarina já está a criar preocupações em Espanha num momento em que o país vizinho está em elevada tensão com Rabat devido à invasão de Ceuta.
“Marrocos pacta com Portugal um ‘bypass’ elétrico a Espanha em plena crise diplomática por Ceuta”, escreve o jornal “El Economista” esta sexta-feira dando conta das preocupações da opinião pública espanhola no tema mais quente da política espanhola neste momento.
Curiosamente, o jornal espanhol relata como se fosse uma reação de Rabat à crise de Ceuta, com a invasão de 70 mil migrantes, mas na verdade o encontro entre os governos de Portugal e Marrocos teve lugar a 20 de julho em Lisboa onde foi anunciado a retoma do interesse no projeto, muito antes da invasão.
Em julho, o Governo português anunciou que iria procurar obter fundos europeus para a autoestrada de eletricidade com Marrocos.
E também vai abrir uma manifestação de interesse para atestar o apetite de empresas privadas pelo projeto.
O objetivo é a partilha de risco, num projeto que já foi avaliado em 800 milhões de euros em 2018, mas cujo valor já deverá estar desatualizado.
O Jornal Económico revelou em maio de 2025 que já tinham havido “contactos preliminares” entre os dois países para o relançamento do projeto.
A ideia é transportar eletricidade portuguesa para Marrocos e trazer eletricidade marroquina para Portugal.
Para já, não há novidades sobre a terceira interligação elétrica entre Espanha e Marrocos, prometido para antes de 2026.
Curiosamente, Espanha já tem duas interligações elétricas com Marrocos, mas só a possibilidade da uma interligação com Portugal é que faz a imprensa espanhola avisar que “mais interligação pode elevar o preço em Espanha”… algo que não receia com os cabos atuais.
Mesmo assim, admite que “se Marrocos dispor em determinadas horas de eletricidade solar ou eólica mais barata, Espanha e Portugal poderão importá-la e reduzir os seus preços”, com benefícios também para a segurança de abastecimento.
Em Espanha há uma questão de fundo no ar perante a crise em Ceuta: Marrocos quer deixar de “depender exclusivamente de Espanha para ligar-se eletricamente com a Europa”, escreve o “El Economista”.
Portugal pode ser chave neste objetivo de Rabat, para desilusão de alguns em Espanha.
Cabo submarino vai dar mais robustez a Portugal
A ministra do Ambiente e da Energia defendeu em julho que este projeto vai dar mais robustez à rede elétrica portuguesa.
Olhando para o apagão de 28 de abril de 2025, Maria da Graça Carvalho disse que este cabo submarino teria ajudado Portugal a recomeçar a rede elétrica mais depressa, tal como aconteceu com Espanha que teve a ajuda de França e Marrocos.
“Decidimos primeiro conversar com a Comissão Europeia para ver o seu interesse em considerar isso um projeto importante europeu, porque é outra interconexão entre a Europa e a África, em termos de segurança de suplemento”, afirmou.
Em segundo, “concordamos que este é um projeto importante, mas não queremos sobrecarregar os nossos contribuintes e os nossos consumidores, então tentaremos ver a possibilidade do envolvimento do setor privado nesses projetos, para criar um tipo de manifestação de interesse, para ver o interesse do setor privado. Então, a abordagem europeia e também a abordagem do setor privado são as duas soluções que adicionamos a este projeto”, disse em julho Maria da Graça Carvalho no final do encontro com a sua homóloga marroquina Leila Benali.
Sobre os fundos europeus, explicou a razão da candidatura: “quando é considerado um projeto de interesse europeu é um acesso especial para conectar a facilidade europeia e outros projetos, também podem ser projetos de cooperação com a Europa e a África”.
“Os estudos anteriores foram feitos em 2018, o mercado evoluiu, os preços de todos os materiais evoluíram. Queremos lançar uma espécie de manifestação de interesse “chamar o interesse do setor privado para diferentes possibilidades e também diferentes soluções tecnológicas e custos correspondentes”, acrescentou.
Questionada sobre quais as empresas que poderiam manifestar o seu interesse, respondeu: “produtoras de eletricidade com operadores de rede”.
Sobre os custos, recorda a avaliação feita na altura de “cerca de 800 milhões de euros, mas também depende de qual é a solução tecnológica e qual é o percurso. Vai depender da ligação tecnológica, do percurso, e, portanto, é ainda prematuro falar sobre isso.Mas, de qualquer modo, são as duas vias que vamos explorar, envolvimento europeu e envolvimento do setor privado”.
A ministra da República não adiantou datas de execução do projeto, considerando que ainda é prematuro. O próximo passo será pedir a reunião à vice-presidente da Comissão Europeia Teresa Ribera. Para o início do próximo ano, está prevista a cimeira de Alto Nível Portugal-Marrocos.
Por sua vez, a ministra do Reino de Marrocos falou sobre o objetivo do cabo submarino: “queremos garantir que reduzimos os custos, especialmente a facilidade de acesso à energia para nossas populações de ambos os lados do Atlântico”.
“Estamos a preparar o trabalho para a próxima Comissão de Nível-Alto entre Portugal e Marrocos e os projetos que discutimos mais especificamente sobre mineração, conectividade energética, clima, economia circular, são muito importantes para os nossos governos, especialmente porque Marrocos, Portugal e Espanha vão organizar o Campeonato do Mundo de 2030 e dado que a Espanha teve um lindo jogo ontem, esperamos que Marrocos e Portugal possam ter sucesso na Campeonato do Mundo de 2030″, segundo Leila Benali.

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