Do excedente do Governo à censura do Chega. Veja o “Semanário” desta semana
28 de agosto: Pára tudo: o PRR está fechado
A semana fechou em grande por conta do Plano de Recuperação e Resiliência e do anúncio taxativo do ministro da Economia, Manuel Castro Almeida: “É uma boa notícia: o PRR está totalmente concluído”. Cinco anos depois de entrar em execução, e com o prazo a terminar a 31 de agosto, o governante garantiu que foram cumpridos na totalidade todos os marcos e metas previstos. Ainda mais importante: foram executadas a 100% as subvenções atribuídas a Portugal, uma verba estimada em 16.325 mil milhões de euros. E quanto à componente de empréstimos, na ordem dos 5.580 mil milhões, o governante estima que sejam executados na íntegra mas deixou no ar a possibilidade de “alguns imprevistos”.
29 de agosto: 65 mil milhões de razões para invadir a Venezuela
No dia em que Lionel Messi disse adeus à seleção argentina pela terceira vez (sempre depois de derrotas) e em que a Guiné Bissau alargou os poderes presidenciais (num referendo tenso e polémico), o mundo ficou a conhecer mais detalhes sobre o histórico acordo petrolífero entre a Venezuela e o governo dos EUA. Nove meses após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro por forças militares dos EUA, e sem que se conheçam grandes mudanças estruturais no país agora dirigido por Delcy Rodríguez, há uma certeza: Donald Trump conseguiu exercer o controlo sobre cerca de 65 mil milhões de barris de reservas de petróleo venezuelanas.
30 de agosto: Não há Bjork mas há mais aumentos nos combustíveis
Foi renhido mas ganhou o não: os islandeses rejeitaram, através de um referendo nacional, a reabertura das negociações de adesão do país à União Europeia. Se Bjork e os Sigur Ros vão continuar fora da grande família europeia, podemos sempre contar com o longo e penoso conflito naval e económico entre os EUA e o Irão que atingiu neste dia a infeliz marca de seis meses de bloqueio total do Estreito de Ormuz. O resultado é previsível e lamentável: as exportações de petróleo a partir da costa iraniana foram completamente interrompidas e abriram caminho para mais aumentos nos preços dos combustíveis.
31 de agosto: Adeus défice, olá excedente
Após três meses consecutivos em défice, o último dia de agosto trouxe uma grande notícia para as contas públicas. Com muitos portugueses com as contas bancárias depauperadas (fruto dos inevitáveis gastos nas férias), as contas do Estado está em contraciclo com os seus conterrâneos: voltou aos excedentes em julho com um saldo de 282 milhões de euros (redução de mais de dois mil milhões em comparação com o mesmo mês de 2025. E já que a Segurança Social foi tema de verão e a discussão da sua viabilidade está na praça pública, aí vai mais um excedente para juntar à conversa: 4,42 mil milhões de euros em julho, mais 1,2 mil milhões do que no mesmo mês do ano passado.
1 de setembro: O táxi que não queria ser um TVDE
Novo mês, nova lei para regular a atividade dos TVDE, oito anos depois do início da regulação da atividade. E com a nova lei, está instalada a polémica no setor até porque a própria sigla vai ser redefinida. Agora, os táxis podem registar-se para operar através de plataformas eletrónicas e essa alteração está a merecer muita contestação. A alteração tem sido contestada tanto pelas associações representativas dos TVDE como pelo sector do táxi. A Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados (APTAD), que chegou a pedir ao Presidente da República o veto do diploma, considera que o sector continua “altamente injustiçado” e sob o domínio das plataformas.
2 de setembro: Censura, clama André Ventura
No dia em que o Governo português chamou o embaixador russo em Lisboa para exigir explicações formais de Moscovo sobre os recentes ataques híbridos atribuídos à Rússia que acabaram por afetar o aeroporto de Leipzig, na Alemanha. Ainda no campo dos ataques híbridos (que atingem vários flancos), e noutro campo de batalha igualmente turbulento, André Ventura, presidente do Chega, confirmou que irá apresentar uma moção de censura ao Governo da AD e que mantém a intenção de criar uma comissão parlamentar de inquérito para escrutinar a atuação de Luís Neves enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária. E já há data para a discussão dessa moção: 8 de setembro.
3 de setembro: Um ano após a tragédia do Elevador da Glória
Há um ano, o país foi surpreendido com uma das maiores tragédias dos últimos anos na capital: a quebra do cabo de sustentação do ascensor provocou a descida livre e desamparada da cabina com o acidente a vitimar mortalmente 16 pessoas e a ferir outras 24. Um ano depois, o dia foi assinalado com a inauguração de um memorial em Lisboa mas também por protestos das famílias das vítimas que continuam a exigir respostas relativamente às indemnizações mas também o apuramento rápido das responsabilidades pelo descarrilamento.
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