GP Itália F1: As estratégias para a corrida
Hoje é dia de celebração. Os tifosi juntam-se na sua catedral para, mais uma vez, mostrarem toda a sua fé, na Ferrari e na F1. A qualificação acabou por não sorrir à Ferrari, com Pierre Gasly a surpreender com uma improvável, mas completamente merecida pole position. Largando do melhor lugar da grelha, o francês, que já venceu em Monza, quererá repetir, mas a concorrência atrás dele é feroz. Nas contas da estratégia, não há grandes dúvidas.
O caminho mais provável é uma paragem
Tudo aponta para uma estratégia de apenas uma paragem, mas com múltiplas variações possíveis dentro dessa opção. Os treinos livres mostraram um desgaste dos pneus muito reduzido, com apenas sinais ligeiros e controláveis de “graining” no eixo dianteiro. Isso significa que qualquer combinação de dois dos três compostos disponíveis pode funcionar, dependendo apenas da ordem escolhida.
Segundo as simulações da Pirelli, a escolha mais rápida passa por uma corrida a começar com pneus médios e terminar com os duros, com uma janela ideal de paragem entre as voltas 24 e 30. As restantes estratégias, contudo, ficam a apenas alguns segundos de diferença em tempo total de corrida — o que torna a escolha praticamente impossível de prever, e mais dependente das características específicas de cada carro ou piloto do que é habitual, nomeadamente a preferência entre o composto macio e o duro.
Entre outras combinações viáveis para o top 10, a opção macios-duros antecipa a janela de paragem para as voltas 19 a 25, enquanto a médios-macios atrasa para as voltas 30 a 36, e a macios-médios a situa entre as voltas 22 e 28. Todas são consideradas igualmente válidas.
Macios à partida ou risco a longo prazo
As ultrapassagens não têm sido fáceis este fim de semana, o que dá algum valor a arrancar com o pneu macio para aproveitar a aderência nas primeiras voltas. Em contrapartida, existe o risco de um Safety Car precoce, que poderia levar muitos carros a entrar nas boxes ao mesmo tempo, além do desafio de gerir um stint longo de corrida com pneus duros. O problema não estaria tanto na distância percorrida com esse composto, mas sim na possibilidade de um novo Safety Car mais tarde na corrida, que juntaria o pelotão e deixaria exposto quem tivesse feito essa aposta.
Dario Marrafuschi, diretor de automobilismo da Pirelli, explicou a lógica por detrás desta proximidade entre estratégias: “a diferença de tempo por volta entre os compostos é de duas décimas entre os duros e os médios, e de cinco a seis décimas entre o médios e o macio — mas, com boa gestão, não creio que isso faça uma diferença real durante a corrida. É por isso que todas as estratégias estão tão próximas.”
Para quem arranca do fundo, a estratégia duros-macios tem uma janela ideal de paragem entre as voltas 32 e 38, mas a abordagem mais comum nestes casos é manter o ritmo e esperar por um Safety Car tardio que permita uma paragem “barata”. A Pirelli não considera muito provável um arranque com pneus duros, mas para quem começa atrás, a melhor aposta costuma ser fazer precisamente o que os outros não fazem.
Um Monza fora do habitual em setembro
Monza continua a ser a base sobre a qual assenta o resto do calendário de Fórmula 1, com a corrida a realizar-se sempre no primeiro fim de semana de setembro. Este ano, porém, em vez do toque de outono que por vezes se sente, a corrida decorre com calor de verão, com a FIA a declarar mesmo um alerta de risco de calor antes do início do fim de semana. As temperaturas devem atingir os 33 °C, com a pista a chegar aos 55 °C — condições que, noutras corridas, poderiam sugerir desgaste excessivo dos pneus, mas que, até agora, não se têm traduzido nesse problema.
Foto: Philippe Nanchino /MPSA
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