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Ucrânia: Terminou reunião de Putin com enviados de Trump para discutir fim da guerra

Ucrânia: Terminou reunião de Putin com enviados de Trump para discutir fim da guerra

As conversações entre o Presidente russo, Vladimir Putin, e enviados do homólogo norte-americano para pôr fim a mais de quatro anos de guerra na Ucrânia, terminaram no sábado 5 de setembro no Kremlin após três horas, noticiou a imprensa estatal russa.
Putin esteve reunido até altas horas da noite com Steve Witkoff e Jared Kushner, portadores, segundo o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de uma proposta para acabar com o conflito na Ucrânia.
No domingo, está previsto que ambos se desloquem pela primeira vez a Kiev como mediadores, para apresentar o plano à parte ucraniana.
“Os representantes norte-americanos prepararam-se meticulosamente para esta viagem. Não só reiteraram o seu habitual interesse num rápido fim das hostilidades, como também apresentaram uma série de ideias sobre possíveis caminhos para uma solução”, disse o conselheiro do Kremlin Yuri Ushakov à comunicação social.
“A conversa foi construtiva, extremamente franca e assente na confiança”, acrescentou, especificando que o lado russo “se declarou confiante na conquista dos objetivos definidos”.
“É claro que a situação não é simples”, declarou Putin aos dois enviados norte-americanos numa grande sala no Kremlin, segundo imagens divulgadas pela televisão russa.
Na sexta-feira à noite, os aeroportos de Kiev foram alvo de ataques aéreos russos, denunciou, por seu lado, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que considerou tratar-se de uma tentativa da Rússia para impedir a visita de Witkoff e Kushner ao seu país.
E hoje, bombardeamentos russos na Ucrânia fizeram pelo menos sete mortos, dois no distrito de Bucha, perto da capital, e cinco na região de Dnipro, no centro do país, segundo as autoridades ucranianas.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou hoje que Putin tinha ordenado uma suspensão durante três dias dos ataques aéreos a Kiev, para dar tempo para as conversações agendadas com os representantes do Governo norte-americano.
Na sexta-feira, Zelensky tinha assegurado que a Ucrânia não bombardearia território russo durante estas negociações e pediu a Moscovo que “garantisse um cessar-fogo mútuo” durante “o tempo necessário para a sua realização”.
Desde o seu regresso à Casa Branca, em janeiro de 2025, para um segundo mandato presidencial, Donald Trump iniciou várias rondas negociais para tentar encontrar uma solução para o conflito, o mais mortífero na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, mas tais tentativas não produziram, até agora, quaisquer resultados concretos.
Trump não precisou se a proposta transmitida pelos seus enviados envolve uma cedência de territórios pela Ucrânia à Rússia, como anteriormente sugerira, tendo apenas declarado: “Temos uma ideia para a paz”.
Atribuiu ainda a guerra, que começou com a invasão russa em grande escala do país vizinho, a 24 de fevereiro de 2022, a um “problema de personalidade” entre Zelensky e Putin.
Na semana passada, a visita do diretor da CIA (Agência Central de Serviços Secretos dos Estados Unidos), John Ratcliffe, à capital russa – uma ocorrência rara – gerou muita especulação.
Segundo Zelensky, foi equacionada a possibilidade de Kushner e Witkoff viajarem para Kiev de avião, o que seria excecional, dado que o espaço aéreo e os aeroportos ucranianos estão encerrados desde o início do conflito.
Os dignitários que se deslocam à Ucrânia chegam geralmente de comboio de países terceiros, o que implica viagens muito mais longas.
Mas ocorreram durante a noite bombardeamentos russos bastante “elucidativos” em ambos os aeroportos da capital ucraniana, segundo Zelensky, que não especificou a extensão dos danos sofridos.
“É evidente que estes ataques russos aos aeroportos constituem uma reação às conversações e aos preparativos sobre a possibilidade de a delegação norte-americana viajar para a Ucrânia por via aérea e aterrar nos aeroportos de Kiev ou Boryspil”, lamentou.
Na região centro-leste da Ucrânia, em Kamianske, outro ataque noturno russo fez pelo menos cinco mortos e cinco feridos, segundo as autoridades regionais.
Na sexta-feira, em pleno centro histórico de Kiev, a sede dos Serviços de Segurança da Ucrânia (SBU) foi atingida em cheio por um ‘drone’ russo. O balanço oficial: 15 feridos.
A aeronave não-tripulada “visou diretamente o gabinete do chefe dos serviços de segurança”, Oleksandr Poklad, acusou o Presidente ucraniano.
O Exército russo intensificou nas últimas semanas os seus ataques com ‘drones’ e mísseis, tanto de dia como de noite, a Kiev e outras cidades.
Este verão, as forças ucranianas também intensificaram os seus bombardeamentos da Rússia, por vezes longe das linhas da frente, afirmando ter como alvo as infraestruturas logísticas, militares e energéticas do inimigo.

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