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Plano de mobilidade do Porto com custo estimado em 1,2 mil milhões de euros a 10 anos

Plano de mobilidade do Porto com custo estimado em 1,2 mil milhões de euros a 10 anos

A execução total do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) do Porto tem um custo estimado de 1,2 mil milhões de euros, distribuídos por várias entidades, durante 10 anos, correspondendo metade do valor a novas linhas de metro.
“Para a execução global do plano de ação deste PMUS será necessário um investimento de aproximadamente 1,2 mil milhões de euros, na sua grande maioria concentrado no longo prazo”, pode ler-se no documento cuja ida a consulta pública vai ser votada na reunião pública da Câmara do Porto de terça-feira 8 de setembro.
O documento salienta que “o investimento na rede de transporte público absorve cerca de 75% do valor global, justificado pela expansão da rede de metro”, cujos custos estão estimados em 600 milhões de euros.
“O eixo da circulação, estacionamento e logística ocupa a segunda posição, com um valor global de 176 milhões de euros, seguido do eixo dos modos ativos, com cerca de 88 milhões. O eixo do sistema urbano surge com o peso mais reduzido, embora o valor de 55 milhões de euros esteja, em grande medida, alicerçado no início da empreitada de intervenção no canal da VCI”, estando previsto o enterramento de três troços, conforme já tinha sido apresentado em 15 de julho.
O PMUS faz ainda uma separação do investimento para executar o plano em dois anos (81,1 milhões de euros), entre dois a cinco anos (181,7 milhões de euros) e superior a cinco anos (945,3 milhões).
Há ainda uma separação do valor total das verbas totais e das verbas que cabem à Câmara do Porto, uma vez que várias entidades podem financiar medidas do plano.
Assim, ao município do Porto caberia um total de 478,3 milhões de euros de investimento, dos quais 68,9 nos primeiros dois anos de execução, 146,7 milhões entre dois e cinco anos e 262,6 milhões para lá dos cinco anos até ao fim do plano (10 anos).
“No período correspondente ao longo prazo, estima-se a necessidade de assumir um investimento médio anual de 48 milhões de euros. Este valor corresponde a cerca de 8% do orçamento anual do município para o ano de 2025, pelo que se conclui tratar-se de um investimento perfeitamente comportável, face aos benefícios potencialmente alcançados”, pode ler-se no documento.
Além da expansão da rede de metro com 600 milhões de euros, entre as despesas mais avultadas estão, em 10 anos, os transportes gratuitos para residentes (213 milhões), o aproveitamento do canal da VCI para coesão do território (53,5 milhões), a execução de novos eixos viários (51,5 milhões), o reperfilamento integral da Circunvalação (43,2 milhões), a reformulação do interface do Hospital São João (32,5 milhões), intervenções estruturantes em nós viários da rede nacional (26,1 milhões), a criação de um serviço de transporte público no Ramal da Alfândega (23,7 milhões) ou o prolongamento dos túneis do Campo Alegre e Faria Guimarães (16,7 milhões).
Nos modos ativos, a beneficiação e expansão da rede ciclável está estimada em 24,3 milhões de euros, a instalação de meios mecânicos em 17,1 milhões, o reforço da arborização em 6,5 milhões, a consolidação da infraestrutura pedonal em 6,7 milhões e a implementação de um sistema de bicicletas partilhadas custaria 1,3 milhões de euros. A implementação de soluções de micrologística urbana no centro histórico está estimada em 1,2 milhões de euros.
No sábado, a Lusa noticiou que, segundo o diagnóstico do PMUS, os portuenses valorizam mais ter ligação direta ao destino que o fator preço como motivo para aderir ao transporte público, sendo o custo mais valorizado pelos residentes na periferia.
Foi também conhecido que o Porto perde pelo menos 100 milhões de euros anuais de receita potencial associada ao estacionamento ilegal, que o interface de transportes de Campanhã é identificado como o mais importante mas o pior no Porto, e que a mobilidade ciclável “é uma das grandes lacunas do sistema de mobilidade” na cidade, em que os atropelamentos em meio urbano causaram 13 mortos e 24 feridos graves entre 2019 e 2023.

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