Mais de metade dos portugueses já foram alvo de fraudes relacionadas com dinheiro no último ano
A literacia financeira digital é cada vez mais importante, numa altura em que os pagamentos digitais e as burlas estão a ganhar palco. De acordo com o mais recente barómetro do Doutor Finanças, 34% dos portugueses sente-se pouco ou nada confiante para utilizar serviços financeiros digitais e proteger os seus dados.
A acompanhar esta falta de confiança está o dado de que 66% dos portugueses já foram alvo de pelo menos uma tentativa de fraude ou roubo relacionado com dinheiro nos últimos 12 meses.
Embora a grande maioria dos alvos não ter sofrido consequências, 4% reporta uma tentativa com perda financeira e 2% partilharam dados, ainda que sem perda de dinheiro.
A fraude mais frequente é a SMS falsa (smishing), seguida do email falso (phishing) e das chamadas telefónicas (vishing).
Ainda que haja uma elevada exposição a estas fraudes, 95% dos inquiridos refere que perante uma mensagem do banco a pedir para clicar num link e inserir códigos, não clicaria e contactaria a instituição. Contudo, 31% mostra-se pouco ou nada confiantes na sua capacidade para identificar uma tentativa de fraude online.
O barómetro refere ainda que entre as vítimas, apenas 47% apresentaram queixa às autoridades, enquanto 23% não tomaram nenhuma iniciativa.
Apesar destes receios e do elevado número de portugueses que foram alvo de burlas, o país está amplamente digital, com 90% dos portugueses a utilizarem a internet todos os dias, enquanto 94% têm um smartphone com acesso à internet.
O MB Way já é o canal financeiro mais utilizado, seguido da aplicação do banco. Embora haja uma digitalização generalizada a confiança dos portugueses não acompanha a adoção destes meios. O barómetro refere que 34% dos portugueses sente-se pouco ou nada confiante para utilizar serviços financeiros e proteger os seus dados, um valor que diminui à medida que aumenta a idade, e são maiores entre os portugueses com maior escolaridade.
Segundo os dados apresentados, a utilização destes serviços ainda representa um desafio, com 47% dos portugueses a deixarem de realizar uma operação financeira por considerarem o processo digital demasiado complexo. Esta situação foi pontual para 38%, enquanto para 9% já aconteceu várias vezes.
Apesar da generalização, 14% dos portugueses nunca ou raramente utilizam serviços financeiros, referindo que as principais razões para não o fazer são a preferência pelo atendimento presencial e a falta de confiança ou medo de fraude. Já 12% admite que não sabe utilizar estes serviços.
A inteligência artificial (IA) também contribuiu para a não utilização destes serviços, uma vez que ainda é encarada com alguma relutância pelos portugueses. Com 48% a afirmar que não confiam em utilizar ferramentas de IA em contexto financeiro.
Entre as utilizações com maior confiança, destaca-se a explicação de conceitos financeiros (44%), comparação de produtos financeiros (24%), deteção de possíveis burlas (18%) e apoio ao orçamento familiar (17%). Apenas 12% confiam nestas ferramentas para recomendar investimentos.
Sérgio Cardoso, chief education officer do Doutor Finanças, afirma que “hoje, falar de literacia financeira implica também falar da capacidade de gerir o dinheiro num mundo cada vez mais digital. Os portugueses já incorporam muitas ferramentas digitais no seu dia a dia, mas utilizá-las não significa, por si só, que estejam preparados para lidar com os riscos e desafios associados”.
“Quando dois em cada três portugueses já foram alvo de tentativas de fraude e um terço ainda não se sente confiante na utilização de serviços financeiros digitais, percebemos que há um caminho importante a fazer. É fundamental disponibilizar conhecimento e ferramentas que permitam tirar partido destes serviços de forma mais informada, autónoma e segura”, sublinha.
O barómetro aponta ainda que 36% dos portugueses não consome conteúdos sobre dinheiro. Já entre os que procuram esta informação recorrem a jornais, ao Instagram, podcast, YouTube e televisão.
A diferença entre quem consome estes conteúdos e quem não consome são particularmente relevantes quando se consideram a escolaridade. 79% dos portugueses que não completaram o 3.ºciclo não consomem conteúdos financeiros, uma percentagem que diminui à medida que aumenta a escolaridade.
O barómetro é apresentado no dia Internacional da Literacia, que se celebra a 8 de setembro.
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