Ataques EUA/Israel ao Irão devem ser investigados como eventuais crimes de guerra, segundo Amnistia Internacional
A Amnistia Internacional defendeu hoje que os ataques dos EUA e de Israel que, em março, causaram dezenas de mortos e feridos em Teerão, devem ser investigados urgentemente para determinar se constituem crimes de guerra.
Em relatório, a organização não-governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos apelou para a responsabilização e a reparação por possíveis ataques indiscriminados que violem o direito internacional humanitário.
A Amnistia Internacional (AI) avançou que imagens de satélite mostraram que os ataques aéreos aos bairros de Niloufar, Resalat e Javadieh, em Teerão, realizados entre 01 e 13 de março, mataram e feriram civis e causaram danos extensos a habitações, estabelecimentos comerciais e outros edifícios.
“As provas disponíveis apontam para uma série de ataques com armas explosivas de amplo raio de ação contra instalações relacionadas com a segurança em áreas urbanas densamente povoadas, com consequências devastadoras, mas totalmente previsíveis, para os civis”, afirmou a secretária-geral da AI, Agnès Callamard, citada no relatório.
“O número de mortos entre a população civil, a escala de destruição, o momento em que os ataques ocorreram, o impacto nas estruturas civis próximas e a ausência de avisos prévios eficazes apontam para falhas alarmantes por parte da coligação EUA-Israel no cumprimento das obrigações de minimizar os danos à população civil e poupar alvos civis”, sublinhou.
Para a secretária-geral da ONG, os ataques podem equivaler a crimes de guerra, pelo que devem ser alvo de “investigações independentes, imparciais, eficazes e transparentes”.
O objetivo torna-se ainda mais imperioso numa altura em que se reiniciaram os ataques dos EUA no Irão e há novas ameaças do Presidente norte-americano, Donald Trump, de atingir infraestruturas civis, defendeu a responsável, acrescentando que as mesmas obrigações se aplicam a Teerão.
Face ao contexto, a AI apelou aos EUA, a Israel e ao Irão para que convidem a Comissão Internacional de Apuramento de Factos Humanitários a conduzir inquéritos sobre as alegações de graves violações do direito internacional humanitário por todas as partes, incluindo ataques a infraestruturas energéticas.
Além disso, instou o Conselho de Segurança e a Assembleia-geral da ONU a considerarem “todas as vias possíveis para alcançar e garantir a paz, segurança e justiça relativamente a todos os ataques ilegais no Irão”.
Os EUA e Israel lançaram, a 28 de fevereiro, ataques conjuntos contra a República Islâmica, matando, nos primeiros quatro meses, pelo menos, 1.469 civis no Irão, incluindo centenas de crianças, disse a AI citando dados oficiais.
A partir de março, Israel também intensificou os ataques ao Líbano, em resposta aos ataques do grupo xiita libanês Hezbollah, tendo-se registado pelo menos 4.333 mortos no país.
Por seu lado, as autoridades iranianas retaliaram contra toda a região, matando, até agora, pelo menos 21 civis em Israel, quatro na Cisjordânia ocupada e 29 nos países do Conselho de Cooperação do Golfo.
Algumas das investidas da República Islâmica foram ilegais, apontou a AI, nomeando um ataque que matou nove civis em Beit Shemesh, Israel, e um ataque a um campo de trabalho de migrantes na Arábia Saudita, que matou quatro civis.
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