China Automobile Dealers Association e ASFAC discutem cooperação no crédito automóvel
A Associação de Instituições de Crédito Especializado (ASFAC) e uma delegação da China Automobile Dealers Association (CADA) debateram esta terça-feira, 8 de setembro, em Lisboa, oportunidades de cooperação no financiamento automóvel, com enfoque no mercado dos veículos movidos a novas energias.
A CADA, associação representativa do comércio e do financiamento automóvel na China, reúne cerca de 18 mil associados e tem vindo a promover encontros com entidades do setor em vários mercados europeus, designadamente Espanha, França e Itália.
Segundo os representantes chineses, o sul da Europa dispõe de uma experiência relevante no crédito automóvel e nos canais de distribuição, constituindo uma referência e uma oportunidade de aprendizagem para o setor chinês.
A delegação manifestou igualmente interesse em conhecer o mercado automóvel português, em particular o segmento dos veículos movidos a novas energias, e em identificar oportunidades de colaboração com empresas nacionais.
“Estas iniciativas são muito positivas e abrem novas oportunidades de cooperação”, afirmou o diretor-geral da ASFAC, Duarte Gomes Pereira, citado num comunicado.
A dimensão do mercado automóvel chinês e a sua expansão internacional tornam “particularmente relevante” o interesse dos operadores automóveis e de crédito chineses em estabelecer parcerias com os associados da ASFAC, acrescentou.
Durante o encontro, a ASFAC apresentou o mercado português do crédito aos consumidores, com especial incidência no financiamento automóvel, bem como o mercado de comercialização de veículos novos e usados.
Os associados da ASFAC representam mais de 75% do crédito concedido a particulares para financiamento automóvel em Portugal, segundo a associação.
ASFAC critica falta de informação sobre nova legislação
A delegação chinesa manifestou também surpresa e preocupação perante a ausência de informação concreta sobre a transposição para Portugal do novo regime europeu dos contratos de crédito aos consumidores.
A ASFAC salientou que o prazo de transposição terminou em novembro de 2025 e que a falta de um projeto legislativo conhecido gera incerteza e dificulta a preparação das instituições para as novas regras.
“Esta indefinição prejudica a previsibilidade de que as instituições necessitam para preparar a sua atividade e avaliar novas parcerias”, afirmou Duarte Gomes Pereira.
O responsável considerou ainda que a preocupação manifestada pelos participantes estrangeiros contrasta com a situação encontrada noutros mercados europeus.
O enquadramento regulamentar português, nas suas vertentes financeira e fiscal, e o regime da intermediação de crédito foram igualmente abordados durante a sessão.
O encontro teve como objetivo aproximar instituições de crédito especializado portuguesas, entidades congéneres chinesas e empresas tecnológicas chinesas, tendo em vista a identificação de oportunidades de cooperação no mercado português.
A iniciativa contou com a colaboração da sociedade de advogados Broseta e com o apoio e a presença da Embaixada da República Popular da China em Portugal.
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