Adelino Maltez: “Que se façam várias votações de moções de censura porque talvez baixem mais os impostos”
O Governo não sai reforçado do chumbo da moção de censura, mas também não fica fragilizado, segundo declarações ao Jornal Económico dos especialistas em política José Adelino Maltez e José Palmeira. Enquanto Maltez considera que o Executivo “sai empatado” e vê na redução do IRS uma estratégia para evitar “piores estragos”, Palmeira alerta que o desgaste provocado pelo debate permanece, embora Montenegro possa recuperar se conseguir manter a perceção de que não existe uma alternativa política mais forte.
Sobre se o Governo sai reforçado, o especialista em política José Adelino Maltez considerou que o Executivo “sai empatado”. “O Governo estava com muito medo, muitíssimo medo e portanto até inventou aquela manha da descida de impostos para ser discutida em cima do Luís Neves”.
De recordar que durante debate da moção de censura, o primeiro-ministro anunciou a redução do IRS até ao sexto escalão, tendo indicado que esse alívio será sentido já na retenção na fonte aplicada às salários e às pensões em novembro.
“Para apoiar a classe média, [vai haver] uma redução do IRS até ao sexto escalão no valor de 400 milhões de euros. Esta descida abrange, na prática, todos os contribuintes de IRS, mesmo aqueles que estão acima desse escalão de rendimentos, dada a progressividade do imposto“, afirmou o chefe do Executivo, na Assembleia da República.
Para Adelino Maltez “não era o tempo político para isso, mas era para evitar piores estragos”. “Sugiro que se façam várias votações de moções de censura porque talvez baixem mais os impostos. Se numa moção de censura se discute um assunto orçamental, que façam muitas coisas destas. Montenegro deve estar extremamente aliviado”, frisou.
Além disso, o especialista referiu que “agora vê-se que o primeiro-ministro treinou bem o ministro da Administração Interna que pela primeira vez não meteu a pata na poça. Esteve ali certinho de acordo com o conselho do treinador”.
Já o politólogo José Palmeira admitiu ser difícil avaliar os resultados, dado que “uma moção de censura provoca sempre a discussão, o tema que leva à moção de censura leva sempre a desgaste”. “Portanto, este desgaste não desaparece porque uma moção de censura é chumbada”.
No entanto, “se o Governo através de medidas, como aquelas que anunciou hoje, for um Governo que apesar de tudo a população entende que não há uma alternativa melhor naturalmente que vai resistindo a essas dificuldades que vai encontrando pelo caminho e se o cenário eleitoral só for daqui a um ano ou daqui a dois o Governo pode lá chegar em boas condições”.
Chumbo da moção de censura é “felicidade” para o Chega e será “sempre um ganho”
Para o Chega este chumbo representa “uma felicidade”, segundo Adelino Maltez. “O Chega teve ali um momento de vitória inesperado quando o PS decidiu pela abstenção”, frisou.
Por sua vez, José Palmeira defendeu que para o “Chega é sempre um ganho”. “Isto é, o Chega alimenta-se disto. O Chega sabia que a sessão legislativa acabava agora neste mês e portanto tinha a oportunidade de apresentar uma moção de censura e o tema era muito específico que afetava o ministro e a moção de censura não é para derrubar um ministro, é para derrubar um Governo, portanto parece um exagero, mas o Chega tira sempre benefício disto”.
“De crise em crise, de eleições antecipadas em eleições antecipadas, o Chega passou de um deputado para sessenta”, acrescentou.
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