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Mercados de olhos postos no BCE e na inflação nos EUA, com Wall Street a arrastar sessão negativa

Mercados de olhos postos no BCE e na inflação nos EUA, com Wall Street a arrastar sessão negativa

Depois de uma sessão desta terça-feira marcada por perdas generalizadas na Europa e pela escalada das yields soberanas, os mercados entram esta quarta-feira, dia 10 de setembro, sob a sombra de Wall Street, que fechou a sessão anterior em terreno negativo pela terceira vez consecutiva, e com atenções centradas na reunião do Banco Central Europeu (BCE), marcada para esta quinta-feira.
O S&P 500 recuou 0,48% para os 7.636,36 pontos, encadeando a terceira sessão consecutiva de perdas, enquanto o Dow Jones Industrial Average desceu 0,77% para os 52.380,66 pontos e o Nasdaq Composite cedeu 0,64% para os 26.253,34 pontos. O sentimento de aversão ao risco em Wall Street deverá condicionar a abertura das praças europeias, que já vinham de uma sessão de quedas expressivas.
Por outro lado, os índices europeus deverão manter-se sob pressão, numa sessão de transição antes da reunião de política monetária do BCE, que deverá anunciar uma subida de 25 pontos base nas taxas de juro diretoras — um movimento que, a confirmar-se, surge num contexto de inflação persistente na área do euro, alimentada pela subida dos custos energéticos. Os analistas antecipam que o discurso da presidente do BCE, Christine Lagarde, na conferência de imprensa após a decisão, seja escrutinado em busca de sinais sobre o ritmo de subsequentes subidas de juros, num ciclo que os mercados já não descartam poder prolongar-se além do outono.
Espera-se que o PSI continue condicionado pelo desempenho da Galp Energia e das restantes cotadas ligadas à energia, enquanto os índices core — DAX, CAC 40 e Euro Stoxx 50 — deverão manter-se voláteis, sensíveis a qualquer sinal de maior aperto monetário. O FTSE 100 britânico deverá continuar a reagir também à escalada das yields do Reino Unido, que atingiram níveis não vistos há vários anos.
Yields soberanas devem continuar sob pressão
As yields da dívida pública europeia, que na sessão de ontem subiram de forma transversal — com destaque para os avanços de mais de 10 pontos base nas taxas a dez anos de Itália, Grécia e França —, deverão continuar sob pressão compradora nesta antevéspera da decisão do BCE. O mercado antecipa que uma subida de taxas, associada a projeções de inflação revistas em alta, mantenha as taxas de financiamento dos Estados-membros em níveis elevados, penalizando particularmente os periféricos. A yield portuguesa a dez anos, que fechou ontem nos 3,79%, deverá continuar a acompanhar esta tendência.
Já o petróleo deverá continuar a negociar em níveis elevados, com o Brent a manter-se acima dos 100 dólares por barril, sustentado pela persistência do impasse entre os Estados Unidos e o Irão em torno da reabertura plena do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas de transporte de petróleo e gás do mundo — e pelas tensões no Mar Vermelho, onde os houthis têm intensificado ataques. Este contexto geopolítico continua a alimentar prémios de risco nos mercados de energia, com reflexos diretos nas expectativas de inflação e, por consequência, na trajetória das taxas de juro dos bancos centrais.
Além da reunião do BCE, os investidores aguardam, para o final desta semana, a divulgação dos dados de inflação nos Estados Unidos, um indicador central para avaliar a margem de manobra da Reserva Federal (Fed), que tem reunião de política monetária marcada para a próxima semana. Os mercados veem nestes dois eventos — BCE na quinta-feira e Fed na próxima semana — os principais catalisadores para a evolução dos mercados nas próximas sessões, num contexto em que as preocupações com a persistência da inflação, alimentadas pela subida do petróleo e por dados de preços no produtor acima do esperado na China, continuam a condicionar o apetite pelo risco dos investidores.
Na geopolítica, o Presidente norte-americano, Donald Trump, revelou que o homólogo russo, Vladimir Putin, com quem falou na terça-feira por telefone, quer “um acordo” com a Ucrânia.
“Tivemos uma conversa muito boa. Putin quer um acordo e, se Zelensky quiser um acordo, seria ótimo”, disse Trump.
Na mesma conversa com jornalistas, o Presidente norte-americano, Donald Trump, previu esta quarta-feira, 9 de setembro, que a guerra com o Irão “terminará imediatamente após as eleições” intercalares para o Congresso dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, porque  “estão a tentar desesperadamente influenciar as eleições”.
O Irão exige que os Estados Unidos voltem aos compromissos assumidos no memorando e tem reiterado que a ameaça militar no estreito de Ormuz só será levantada em troca do fim da guerra em todas as frentes e do fim do bloqueio norte-americano.
 

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