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BCE volta a subir juros em 25 pontos pela segunda vez desde arranque do conflito no Golfo

BCE volta a subir juros em 25 pontos pela segunda vez desde arranque do conflito no Golfo

Como esperado, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira subir as taxas diretoras na zona euro em 25 pontos base (pb) face a uma inflação que continua sem regressar ao objetivo de 2% e a nova onda de pressão nos preços causada pela mais recente escalada das hostilidades no Golfo Pérsico. O mercado divide-se agora sobre quais os próximos passos na política monetária europeia, com investidores inclinados para nova subida até final do ano e analistas projetando que este aumento não marque novo ciclo de aperto.
A taxa de referência para a moeda única fica assim em 2,5% após a segunda subida desde o começo da guerra iniciada por norte-americanos e israelitas contra o Irão, que levou a novo choque energético. A decisão era largamente esperada, sendo que o mercado descontava já a mexida.
A zona euro fica assim com juros de referência no “limite superior do intervalo para a taxa neutra”, como havia descrito o economista-chefe do banco, Philip Lane, em junho – algo que os mercados vinham também interpretando como um sinal da iminente subida.
A inflação na zona euro continua sem dar sinais de abrandamento e até voltou a acelerar na leitura mais recente, em agosto, quando subiu de 2,9% para 3,3%, o valor mais alto desde setembro de 2023. A componente energética foi novamente a principal responsável pela subida, com a inflação na energia a chegar a 14,3%, um máximo desde janeiro de 2023.
Ainda assim, a atualização das projeções macro para este ano mantém a expectativa para a inflação em 3%, ou seja, igual à publicada em junho, no anterior exercício de previsões. Para o próximo ano, o BCE espera agora 2,5%, ou seja, mais 0,2 pontos percentuais (pp) do que em junho, quando o indicador também havia sido revisto em alta por 0,3 pp.
Já 2028 vê uma revisão em alta de 0,1 pp para 2,1%, mostrando que a autoridade monetária europeia não está totalmente confiante que o indicador de preços retorne ao objetivo no médio prazo.
Tal fica patente também nas projeções quanto à inflação subjacente, ou seja, sem as componentes energética nem alimentar. A previsão para 2026 manteve-se em 2,5%, mas os dois anos seguintes foram atualizados em alta por 0,1 pp, ficando agora em 2,5% para 2027 e 2,2% em 2028.
Do lado do crescimento, houve lugar a revisões em alta em linha com a “resistência acima do esperado da economia da zona euro” face a estes choques negativos. O BCE aponta agora a 0,9% este ano e 1,4% no próximo, o que compara com 0,8% e 1,2%, respetivamente, inscritos no exercício de junho.
[notícia atualizada às 13h27]

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