Lagarde não abre o jogo apesar de admitir inflação menos alta, mas mais persistente
Crescimento mais resistente, inflação menos alta do que se esperava, mas mais duradoura: assim resumiu Christine Lagarde a situação na zona euro, mantendo os próximos passos do Banco Central Europeu (BCE) em aberto, como tem sido hábito. A revisão em alta da inflação nas projeções macro reforçou a noção do mercado que os juros na zona euro voltarão a subir em breve, mas a presidente não se comprometeu com qualquer decisão, afastando também debates sobre a taxa neutra.
Após a decisão do BCE de aumentar os juros de referência em 25 pontos base (pb), Christine Lagarde voltou a frisar a “dependência dos dados” nas próximas reuniões, como tem sido costume. A presidente do banco central falou numa decisão “unânime” e “sem dúvidas”, mas sem abrir o jogo quanto ao futuro.
No entanto, as questões dos jornalistas focaram-se num aparente sinal de que mais aperto terá de estar próximo: as projeções macro atualizadas apontam para uma inflação mais elevada do que o esperado no próximo ano e em 2028, quando apontam para 2,1%, ou seja, acima do objetivo de médio-prazo do banco. Perante isto, a ideia dominante entre os investidores que o BCE voltará a subir taxas até final do ano ganhou ainda mais força, mas Lagarde rejeita que tal garanta mais incrementos de juros.
“Fomos surpreendidos numa forma positiva porque a economia está a portar-se melhor do que esperávamos”, explicou Lagarde, que estendeu esta consideração à inflação, que “tem sido mais baixa do que antecipávamos”. Ainda assim, “será mais duradoura do que tínhamos estimado”.
“Em resumo, é isto: crescimento mais forte e inflação menos alta, mas mais persistente”, completou.
O mercado dividia-se, antes da reunião, sobre o rumo da política monetária europeia após setembro. Os investidores apostavam em mais uma subida este ano (e muitos em mais uma no arranque de 2027), enquanto economistas e analistas estavam mais inclinados para uma subida isolada e sem arrancar um novo ciclo de aperto.
Por outro lado, Lagarde foi confrontada com as declarações do economista-chefe do BCE, Philip Lane, que havia considerado em junho que 2,5%, o atual nível dos juros após a subida desta quinta-feira, correspondia ao limite superior do intervalo para a taxa neutra na zona euro. A presidente do banco não deu grande importância a estas considerações, destacando os choques consecutivos que têm assolado a economia da moeda única.
“Este intervalo é um trabalho em progresso constante. É produzido pelos técnicos, que indicaram um intervalo que consideram neutro, mas é algo altamente conceptual”, defendeu. “E temos estado sob choques consecutivos, pelo que não estamos a atribuir grande importância, nas atuais condições, à taxa neutra”.
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