PSI em alta isolada na Europa em dia de BCE. Petróleo dispara mais de 5%
A generalidade das bolsas europeias encerrou em baixa, numa sessão marcada por uma nova escalada dos preços do petróleo, provocada pelo agravamento das tensões entre o Irão e os EUA, com notas de que se preparam para a possibilidade de uma guerra mais prolongada.
A subida do petróleo alimenta a preocupação com um agravamento das pressões inflacionistas, num dia em que as declarações de Christine Lagarde, presidente do BCE, de que a inflação permanecerá acima da meta dos 2% por um período alargado de tempo, elevaram a probabilidade de maior agressividade na subida das taxas de juro. Isto no dia em que o BCE agiu sem surpresas e aumentou as taxas de referência da Zona Euro em 25 pontos base.
A inflação média deverá permanecer acima da meta de 2% pelo menos até 2028, com a subida dos preços da energia, associada aos conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia, a ser apontada como um dos principais fatores de pressão, destaca Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe.
Perante este cenário, os analistas do Millennium BCP destacam que o PSI conseguiu escapar com ganho ligeiro à boleia do disparo da NOS e das valorizações da EDP, Galp e BCP.
De facto, o PSI terminou a sessão nos 9.455,72 pontos, a subir 0,11% (+10,55 pontos), com a NOS a valorizar 4,47% para 5,115 euros, a EDP a subir 1,29% para 4,785 euros e o BCP a avançar 0,22% para 1,1630 euros. A Galp acrescentou 0,37% e fechou nos 21,47 euros. Isto num dia em que o Goldman Sachs aumentou o “price-target” da petrolífera para 26 euros nos próximos 12 meses, num momento em que o crude está em máximos de maio. A recomendação mantém-se em comprar.
No lado negativo, a Jerónimo Martins cedeu 2,20% para 17,79 euros e a Sonae recuou 1,09% para 1,988 euros.
O BCE alertou hoje para os riscos persistentes de inflação ao anunciar a subida de 25 pontos-base nas taxas de juro. Por outro lado, dados económicos dos Estados Unidos revelam uma nova pressão vinda da subida dos preços da energia, o que pode reforçar as probabilidades de uma subida de taxas por parte da Reserva Federal na reunião da próxima semana.
Na Europa, o EuroStoxx 50 recuou 0,67%, para 6.268,97 pontos (-42,59), e o Stoxx 600 cedeu 0,69%, para 635,97 pontos (-4,44).
Em Frankfurt, o DAX perdeu 0,84%, para 25.361,15 pontos (-215,30), e em Paris o CAC 40 desvalorizou 0,49%, para 8.116,76 pontos (-39,91). Em Londres, o FTSE 100 recuou 0,57%, terminando nos 10.608,92 pontos (-61,14).
Milão foi a praça mais resiliente do continente, com o FTSE MIB a perder apenas 0,13%, para 51.807,40 pontos (-67,84), enquanto em Madrid o IBEX 35 cedeu 0,18%, para 19.659,80 pontos (-35,50 pontos).
O petróleo foi o grande protagonista do dia: o WTI (NYMEX) dispara 5,82%, para 101,64 dólares por barril, enquanto o Brent (ICE) subiu 5,51%, para 106,79 dólares.
No câmbio, o euro recuou face ao dólar: o euro estaca nos 1,1620 dólares, em queda de 0,11%.
Nos mercados de dívida, as yields seguiram pressionadas. A dívida portuguesa a 10 anos subiu 8,95 pontos base, para 3,88%. Na zona euro, a Bund alemã a 10 anos rendia 3,50%; do outro lado do Atlântico, o Tesouro americano a 10 anos situava-se em 4,92%, e o título britânico a 10 anos em 5,37%.
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